Abayomi Academy Blog https://abayomiacademy.org Mon, 02 Mar 2026 20:26:37 +0000 en-US hourly 1 https://abayomiacademy.org/wp-content/uploads/2024/04/cropped-SELOS_ABAYOMI-ACADEMY-1-1-32x32.png Abayomi Academy Blog https://abayomiacademy.org 32 32 Welcome to Our 2026 Columnists at Abayomi Academy https://abayomiacademy.org/welcome-to-our-2026-columnists-at-abayomi-academy/ Sun, 01 Mar 2026 14:00:05 +0000 https://abayomiacademy.org/?p=6095 A new year begins, and with it, a renewed commitment to ideas that inspire, connect, and transform.

We are delighted to welcome our 2026 columnists to the Abayomi Academy blog. Some are joining us for the first time, bringing fresh perspectives and new voices to our community. Others continue their journey with us, deepening conversations that have already touched many readers. And a few beloved contributors are returning, ready to share once again their wisdom, experience, and thoughtful reflections on the world we are shaping together.

Each columnist carries a unique story. They come from different professions, cultures, and areas of expertise. What unites them is a shared desire to contribute meaningfully, to explore relevant themes of our time, and to offer insights that illuminate both present challenges and future possibilities.

Throughout the coming weeks, we will introduce each of them individually. We invite you to follow our daily posts and discover the richness of knowledge, creativity, and vision that defines this new season of our blog.

Whether you work in architecture, education, business, health, technology, the arts, public policy, or any other field, you will find inspiration here. Our content is designed to broaden perspectives, spark ideas, and encourage thoughtful action in professional and personal life.

This is more than a blog. It is a space for dialogue, reflection, and growth.

We are honored to have you with us on this journey. Stay connected, stay curious, and welcome to an inspiring 2026 at Abayomi Academy.

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Conexões que se Transformam em Ação https://abayomiacademy.org/conexoes-que-se-transformam-em-acao/ Mon, 16 Feb 2026 14:00:00 +0000 https://abayomiacademy.org/?p=5875

O mês de fevereiro marca, para nós, o início efetivo das trocas que darão ritmo ao ano. Depois de abrir 2026 celebrando nossa comunidade internacional, agora é hora de aprofundar diálogos, provocar reflexões e transformar ideias em ação.

Na Abayomi Academy, acreditamos que conhecimento não deve permanecer apenas no campo conceitual. Ele precisa gerar impacto real. Por isso, ao longo deste mês, nossos conteúdos irão além da inspiração e trarão aplicações práticas, estudos de caso, experiências profissionais e questionamentos estratégicos que dialogam com os desafios contemporâneos das cidades, das organizações e das comunidades.

Cada um dos seis pilares da Metodologia Abayomi será abordado sob a perspectiva de transformação concreta:

  • Cidadania Consciente como prática diária de responsabilidade e participação.
  • Espaço Físico e Digital como territórios que influenciam comportamento, produtividade e bem estar.
  • Gestão Inovadora como estratégia para lidar com complexidade e mudanças rápidas.
  • Comunicação Inteligente como ferramenta de conexão e clareza em tempos de excesso de informação.
  • Relações Humanas como base para colaboração e confiança.
  • Saúde e Bem Estar como condição essencial para sustentabilidade individual e coletiva.

Fevereiro também é um convite à interação. Queremos ouvir você. Quais temas gostaria de ver aprofundados? Quais desafios enfrenta em sua área de atuação? Que soluções têm funcionado em seu contexto? Nosso blog é um espaço de construção coletiva, e sua participação fortalece a qualidade e a relevância das discussões.

Convidamos você a comentar os artigos, compartilhar com sua rede e ampliar o alcance das reflexões. Muitas vezes, uma ideia lida aqui pode gerar uma conversa transformadora em uma equipe, uma sala de aula ou uma comunidade.

Além do blog, acompanhe nossas mídias sociais para ficar por dentro das atividades, eventos e iniciativas que estão sendo preparados para este ano especial:

Instagram: https://www.instagram.com/abayomiacademy/
Facebook: https://www.facebook.com/abayomiacademy
LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/abayomi-academy/

Seguimos comprometidos com a construção de ambientes mais inteligentes e felizes, promovendo conhecimento que conecta teoria e prática, visão e ação.

Que fevereiro seja um mês de aprofundamento, diálogo e transformação.
Seguimos juntos.

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Welcome to the Abayomi Academy Blog 2026 https://abayomiacademy.org/welcome-to-the-abayomi-academy-blog-2026/ Sun, 01 Feb 2026 14:00:11 +0000 https://abayomiacademy.org/?p=5863 We are truly excited to welcome you to a new and inspiring year at the Abayomi Academy Blog.

In 2026, our blog reaches a remarkable milestone. We are proud to bring together more than 20 columnists from over 8 countries, forming a vibrant and diverse international community of professionals, researchers, educators, and thought leaders. Each contributor brings unique experiences, perspectives, and expertise that enrich our shared mission.

Throughout this year, our columnists will explore topics related to the six pillars of the Abayomi Methodology: Conscious Citizenship, Physical and Digital Space, Innovative Management, Intelligent Communication, Human Relations, and Health & Well-Being. These pillars guide our commitment to promoting smarter, healthier, more sustainable environments and happier communities around the world.

This year also marks an important evolution in our blog experience. With advances in technology and modern browsers’ ability to automatically translate content into the reader’s preferred language, our blog will no longer be divided into language sections, such as English or Portuguese. Instead, we will publish contributions in both languages, with the intention of expanding to additional languages over time. This means that you, as a reader, will be able to access and enjoy our content in the language configured in your internet browser, allowing knowledge to reach an even broader global audience.

This new cycle brings an extraordinary exchange of knowledge, practical insights, innovative ideas, and inspiring reflections. Our columnists combine academic expertise with professional experience, creating meaningful content designed to inform, inspire, and encourage positive transformation in society.

We are deeply grateful to our contributors for sharing their voices and knowledge with our global community. Their dedication strengthens our international network and reinforces our purpose of building environments where people and communities can truly thrive.

We warmly invite you to follow our publications, engage with the content, and be part of this journey throughout 2026. There is an incredible amount of knowledge, experience, and inspiration waiting to be shared.

Welcome to another extraordinary year with the Abayomi Academy Blog.

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Amizades Verdadeiras: Como Construí-las e Mantê-las https://abayomiacademy.org/amizades-verdadeiras-como-construi-las-e-mante-las/ Sun, 28 Sep 2025 13:00:06 +0000 https://abayomiacademy.org/?p=5674 Por Camila Trivino

Em um mundo conectado digitalmente, muitas vezes confundimos quantidade de amigos com qualidade das amizades. Ter amizades verdadeiras vai além de interações superficiais; exige tempo, confiança e reciprocidade. Bons amigos são aqueles que nos apoiam nos momentos difíceis, celebram nossas conquistas e nos incentivam a evoluir como pessoas.

Construir e manter amizades sólidas requer esforço. Pequenos gestos, como lembrar datas importantes, demonstrar interesse genuíno e oferecer apoio emocional, fazem toda a diferença. Além disso, amizades saudáveis são baseadas em respeito mútuo e na capacidade de aceitar as diferenças do outro. O diálogo aberto e a disposição para resolver conflitos também são essenciais para evitar desgastes.

A verdadeira amizade não se mede pela frequência dos encontros, mas pela qualidade da conexão. Cultivar relações genuínas traz benefícios emocionais, fortalece nossa autoestima e contribui para uma vida mais equilibrada e feliz.

Como você pode fortalecer suas amizades verdadeiras no dia a dia?

CEO da Up Mind Consulting, Psicóloga, Terapeuta e Analista Comportamental,  Business, Executive and Life Coach,  Mentora, formadora, palestrante. 

Vice-Presidente na Associação Portuguesa de Presencing, Membro Oficial e Representante em Portugal da Associação Quintal dos Empreendedores no Luxemburgo. Acadêmica Fundadora da AHBLA (Academia Hispano-Brasileña de Ciencias, Letras y Artes). Co-Autora do Livro Mentes em Perigo, Co-Autora Coordenadora do Livro Influenciando Mulheres, Co-Autora do Livro Autores da Manifestação, Co-Autora do Livro Mulheres Notáveis.

Apaixonada pelo desenvolvimento humano e com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de pessoas, em gestão de empresas, coordenação de centro de formação, Recrutamento, Seleção e Treinamento de pessoas. Com mais de 10 mil horas em formações, atendimentos e palestras.

Certificada pelo Instituto Brasileiro de Coaching e reconhecida internacionalmente pelo International Coaching Council, Behavioral Coaching Institute, Global Coaching Community, International Association of Coaching e Ohio University. 

Saiba mais: Facebook Instagram Linked In

Entre em contato: +351 932 192 969 // camilatrivinodelima@gmail.com // www.camilatrivino.com

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The Other World: Digital Squares and the Future of Cities https://abayomiacademy.org/the-other-world-digital-squares-and-the-future-of-cities/ Fri, 26 Sep 2025 13:00:10 +0000 https://abayomiacademy.org/?p=5672 By Alessandro Lopes

Cities have always been places of encounter and confrontation, where plurality finds its stage.
From the Greek agora to colonial squares, from African markets to European boulevards, public space has been the beating heart of urban life. Today, that heart also pulses in the digital realm: feeds, hashtags, and timelines have become the new square, simultaneously universal and fragmented. What begins as a local whisper can resound as a planetary shout, and a single lie can cross borders and corrode democracies in minutes.

It is in this territory that the urgency for regulation emerges. To regulate is not to silence; it is to protect.
To protect the public sphere from invisible manipulations, from algorithms that amplify hatred, from misinformation that poisons the social fabric. These political safeguards are not barriers to freedom, but roots that sustain it. Just as cities need master plans to grow with justice, the digital space requires norms that preserve coexistence and collective integrity.

The challenge, however, is unprecedented. Disinformation does not ask for visas, extremist speeches do not pass through customs, and digital platforms no longer recognize national sovereignty. We live in a paradox: while our physical borders are consolidated, our geopolitical divisions in the digital realm still need to be created. It is as if we inhabit another world, a new territory, without universal treaties, without defined lines, where we are still searching for maps. Today, sovereignty is also measured by who controls submarine cables, data centers, and algorithms. Diplomacy is no longer limited to embassies but plays out in the invisible arenas of information.

Therefore, it is not enough for each country to legislate in isolation. We need a multilateral architecture that recognizes the digital sphere as an extension of the global public space. Algorithmic transparency, protection of vulnerable groups, and digital civic education: these are the pillars of a new international policy, capable of balancing freedom with responsibility, innovation with equity, cultural diversity with universal rights. Without them, any attempt will dissolve like foam before the transnational force of the networks.

Failing to consider the future of cities without taking their networks into account is a mistake of scale. The urban is no longer only concrete: it is also fiber, wave, and flow. If we seek sustainable, intelligent, and humane cities, we must also seek social networks supported by policies of care, capable of transforming the digital space into a legitimate extension of the public sphere.

These safeguards are the new digital urbanism: planting trees in algorithmic asphalt, opening clearings amid bubbles, creating virtual squares where difference is not a threat but an encounter. The question before us is simple, yet decisive: do we want to live in fragile digital squares, subject to storms of hatred and manipulation, or in digital squares that are protected, open, and fertile for shared futures?
The answer will define not only the destiny of the internet, it will define the destiny of the cities themselves, and with them, the destiny of humanity.

Alessandro Lopes is an architect and consultant in BIM/CIM and Smart Cities, with a master’s degree in Environmental Law from UNISANTOS, focusing on Creative and Sustainable Cities. He serves as an Advisor at the Municipality of Santos, leading urban revitalization and sustainability projects, and as Coordinator of the Architecture and Urbanism Program at ESAMC Santos, bridging education, market, and innovation. A specialist in project management and sustainability, he is a CBIM member, speaker, and commentator on radio and podcasts about innovation in civil construction. His key contributions include the modernization of Santos’ waterfront and the restructuring of the public administration’s quality and control sector.

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Sustentabilidade, materiais e saúde https://abayomiacademy.org/sustentabilidade-materiais-e-saude/ Tue, 16 Sep 2025 13:00:51 +0000 https://abayomiacademy.org/?p=5702 Por Taina Volcov

Escolhas diárias que fazem a diferença

Praticar a sustentabilidade é assumir um compromisso com a conservação dos recursos naturais e o bem-estar social, que se inicia com escolhas conscientes e ações diárias, como: reciclagem dos resíduos (lixo), economizar água e energia com banhos curtos, manter as torneiras fechadas enquanto escova os dentes, entre outros.

Outra forma de contribuir é coletar água da chuva para regar plantas e lavar pisos. Na hora de comprar eletrodomésticos, opte sempre por modelos eficientes, com selo Procel ou Energy Star, que reduzem o consumo de energia e aliviam o peso na conta de luz.

Cuidado do lar

A sustentabilidade também está presente nos produtos que usamos no dia a dia. Prefira produtos “amigos da natureza e dos animais”, com baixa emissão de poluentes e compostos químicos.

Entretanto, requer atenção às empresas que praticam o “greenwashing” (estratégia de marketing enganosa para atrair consumidores), criando uma falsa imagem de responsabilidade ambiental, sem realmente implementar práticas sustentáveis. É preciso ler além dos rótulos e embalagens.

Além disso, valorize a ventilação natural, abrindo janelas e portas para melhorar a circulação do ar, e mantenha o controle da umidade dos ambientes, evitando o surgimento de mofo e garantindo saúde respiratória.

Construção e bem-estar

Nas construções e reformas, a sustentabilidade exige olhar para toda a cadeia produtiva. Pergunte: de onde vêm esses materiais? Como foram produzidos? A matéria-prima foi extraída de forma responsável? Além disso, avalie se são duráveis e se permitem manutenção ao longo do tempo.

Troque as lâmpadas comuns por LEDs de boa qualidade, que reproduzem melhor as cores e tornam os ambientes mais agradáveis e saudáveis. Escolha tintas com baixa emissão de compostos orgânicos voláteis (COV).

Invista na automação para programar a iluminação dos ambientes e a abertura de persianas e cortinas, melhorando o aproveitamento da luz solar e evitando o uso excessivo de iluminação artificial.

Natureza dentro de casa

Se você gosta de jardinagem, aprenda técnicas de compostagem doméstica e transforme os restos de comida em adubo, reduzindo o lixo.

Trazer a natureza para dentro de casa promove saúde, equilíbrio e conexão com o ambiente. Cultive plantas que auxiliem no processo de filtragem do ar e aproveite para criar pequenas hortas em vasos e jardineiras, tendo temperos frescos sempre à mão.

Lembre-se: sua casa é uma extensão do seu corpo e da sua saúde. Investir em sustentabilidade e escolher bem os materiais não é apenas uma questão ambiental, mas também de bem-estar. Ao transformar sua residência em um espaço saudável, você cuida de si, da sua família e do planeta.

Taina Volcov é arquiteta e urbanista, apaixonada por imaginar e desenhar espaços desde a infância. Aos 11 anos, já criava cenas e conversas em vídeo-chamadas — em plena década de 1990. Aos 17, foi pioneira em sua família ao ingressar na universidade, realizando o sonho de infância de transformar rabiscos em projetos reais. Atua desde 2011 na área de Engenharia Diagnóstica, cuidando da saúde das edificações e investigando como os ambientes construídos afetam a saúde das pessoas e das cidades. Seu olhar atento une técnica e sensibilidade, guiando reflexões sobre bem-estar urbano. Na Coluna Saúde e Bem-Estar, compartilha sua vivência com leitores em português, buscando inspirar novas formas de viver, habitar e construir juntos um futuro mais saudável e feliz.

Acompanhe mais sobre seu trabalho e reflexões:
 Instagram: @tainavolcov
 Instagram 2: @taina.volcov
 LinkedIn: Taina Volcov

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SINDICATOS – DIREITO COLETIVO – 1ª parte https://abayomiacademy.org/sindicatos-direito-coletivo-1a-parte/ Mon, 15 Sep 2025 13:00:28 +0000 https://abayomiacademy.org/?p=5706 Por Wagner Azevedo Pereira

Atualmente, as relações de trabalho, entre empregador e empregado, têm por base a regulamentação do direito objetivo, prevista na relação jurídica. Quando o artesão medieval, proprietário dos meios usados no seu ofício, o abandona e passa a vender sua mão de obra, servir como contratado fora de casa com outros trabalhadores em um lugar destinado especialmente para a produção, ele passa a viver numa relação de trabalho formal em que terá obrigações a cumprir e deveres a receber. E foi a partir desta nova situação, que numa conjectura social, os trabalhadores começaram a se organizar em grupos, em associações de socorro mútuo para reivindicar melhorias, sendo os embriões dos sindicatos que logo surgiriam. Tal processo ocorre contemporâneo à formação do sistema jurídico que foi se aperfeiçoando e chegou à forma como conhecemos hoje, assentado em boa medida nos conceitos de “contrato livre”, ou civil, pelo menos nominalmente consensual, em contraposição ao sistema personalista de trabalho baseado em camadas hierárquicas com privilégios ou em status. A relação de trabalho também passa a exprimir uma modalidade de contrato civil, a locatio conducto operarum.

Em vários lugares começaram a aparecer movimentos de trabalhadores e legisladores que almejavam melhores condições de trabalho e de vida dos trabalhadores. A primeira e maior expressão deste movimento que deixou fonte escrita no Direito foi o Código Civil de Napoleão de 1804. Paralelamente aparecem anseios nos Estados nacionais territorialmente delimitados, convergindo por mudança através de expressão formal e lei de Constituição. Em todo o século XIX, as lutas travadas por melhores condições de trabalho e reivindicações coletivas de trabalhadores abriram caminho para que no início do século XX finalmente começassem a ser atendidos. Incorporação de direitos sociais nas constituições tornou-se realidade. A primeira Constituição a atender foi a mexicana, em 1917, e depois a Constituição alemã de Weimar em 1919. Elas inseriram significativas regras trabalhistas em seu interior e foram inspiração para as novas constituições inserirem, em seu final, título ou capítulo direcionado à “ordem econômica e social” e aos “direitos sociais”, especialmente os de seguridade social e os trabalhistas.

O sindicato é de categoria econômica, profissional ou profissional diferenciada reconhecida pela lei e pela Constituição como titular de direitos. De figura abstrata, sua substância é formada por pessoas envolvidas com interesses comuns. Os §§ 1º e 2º do art. 511 da CLT apresentam definições legais de categoria, as quais se referem a uma “solidariedade de interesses”, um “vínculo social básico”, uma “expressão social”. “Por isso, o sindicato, titular da personalidade jurídica, é quem representa e materializa a categoria, no âmbito judicial e extrajudicial, o que é confirmado pelo art. 8º, inciso III, da Constituição Federal de 1988”. (GARCIA, 2023, p. 858). Pode ser definido como uma associação de pessoas físicas ou jurídicas, e, segundo o art. 511 da CLT possui atividades econômicas ou profissionais, visando à defesa dos interesses coletivos ou individuais dos membros da categoria. Tem natureza jurídica de associação, tratando-se de pessoa jurídica de direito privado.

A área sindical foi objeto de normatização federal, por meio do Decreto n. 19.770, de 19.3.1931, que cria uma estrutura sindical oficial, baseada no sindicato único (embora ainda não obrigatório), submetida ao reconhecimento pelo Estado e compreendida como órgão colaborador deste (VIANNA, 1989, pp. 146-147). Passado o interregno da Constituição de 1934, o modelo sindical oficial torna-se corporativista, mediante a Carta de 1937 e o Decreto nº 1.402, de 5.7.1939.

No Brasil, a Constituição de 1934 inaugurou a incorporação de vários direitos trabalhistas (art. 121, caput, § 1º, alíneas “a” até “j”, além de § 2º). Esta tendência repetiu-se em todos os textos constitucionais seguintes (Constituições de 1937, 46, 67 e 69), inclusive as cartas autoritárias de 1937, 1967 e 1969 (esta, EC n. 1/69). Apenas com a Constituição de 1988, é que surgiu um real Direito Constitucional do Trabalho no País. Inúmeros aspectos conduzem a essa conclusão. Uma delas é que esta Constituição “estruturou uma arquitetura conceitual matriz, que perpassa todo o Texto Magno, que é o conceito de Estado Democrático de Direito — em cujo núcleo o Direito do Trabalho cumpre papel decisivo”. (DELGADO, 2018, p. 65). “Ela constitucionalizou vários princípios próprios do Direito Individual do Trabalho, tais como o da proteção; o da norma mais favorável; o da imperatividade das normas trabalhistas; o da indisponibilidade dos direitos trabalhistas; o da intangibilidade e da irredutibilidade salariais; o da primazia da realidade sobre a forma; o da continuidade da relação de emprego; o da irretroação das nulidades”. (id., p. 66). Inovou com o princípio inerente ao Direito Coletivo do Trabalho, com o da liberdade associativa e sindical; o da autonomia sindical; o da interveniência sindical na negociação coletiva; o da lealdade e transparência na negociação coletiva; o da equivalência entre os contratantes coletivos; o da criatividade jurídica da negociação coletiva trabalhista; e o da adequação setorial negociada.

Denominação Jurídica

O ramo jurídico que hoje representa o trabalhador em litígio já recebeu diferentes denominações desde o início de sua existência, no século XIX, e hoje consagrou-se o Direito do Trabalho. Já foi intitulado de: Direito Industrial, Direito Operário, Direito Corporativo, Direito Sindical e Direito Social.

A expressão Direito Industrial é inadequada por dois motivos: o primeiro por espelhar o objeto a que se pretende referir, seja todo o Direito do Trabalho, seja apenas seu segmento, Direito Coletivo. O epíteto foi influenciado pela circunstância de o ramo justrabalhista ter surgido na Europa, efetivamente vinculado à dinâmica da crescente industrialização, porém, sob certa perspectiva, teve uma amplitude maior de referência, interessando também ao Direito Comercial/Empresarial e Direito Econômico (por exemplo, invenções, patentes, relações tecnológicas, etc.). A segunda inadequação se dá pelo fato de ao mesmo tempo em que se mostra excessivamente amplo (com relações de Direito Econômico ou Comercial/Empresarial), ele também se mostra, por outro lado, inábil a captar todo o universo de relações justrabalhistas, que se estabelecem e se desenvolvem por muito além do estrito segmento industrial (ilustrativamente, setores de serviços e agropecuário). (DELGADO, 2018, p. 51).

Wagner Azevedo Pereira nasceu em Nova Iguaçu/RJ, Brasil. Formou-se em Letras, com Pós-graduação (lato sensu) em Língua Portuguesa, cursa Direito, formações na Universidade do Estado do Rio de Janeiro; Doutor Honoris Causa (OMDDH e APALA-RJ). Tem 36 livros publicados: 21 dicionários, 2 livros de contos, 1 de sonetos e 12 participações em antologias. Colaborou com o site E-Dicionário de Termos Literários (online) com seis verbetes inéditos: EUS, ERÓTEMA, PORANDUBA, PAI-JOÃO, ANÁBASE e CATÁBASE. É 2º Vice-Presidente do IICEM (Instituto Internacional Cultura em Movimento) e colunista da rádio Tropical AM 830, do RJ (www.tropicalam830.com), com o quadro O DICIONÁRIO ABERTO, todo 1º sábado de cada mês às 17 horas (horário de Brasília).

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Notas:

  1. A função da locatio conductio (locação condução [locação de coisas] – contrato consensual pelo qual, em troca de uma remuneração, contraprestação devida, um sujeito obriga-se a ceder a outro o uso e gozo de uma coisa [locatio-conductio rei], ou a prestar-lhe determinados serviços [locatio-conductio operarum], ou, ainda, a realizar-lhe uma obra [locatio-conductio operis] e deu origem ao contrato de trabalho, e aos contratos de prestação de serviço) aplicável aos contratos atualmente firmados pela Administração Pública que pode ter peculiaridades é a locatio-conductio operarum, através da qual o locator está obrigado a prestar um serviço ao conductor. Veja-se que, aqui, há uma inversão de nomenclatura quanto a quem paga e a quem presta o serviço*. Enquanto na locatio-conductio operis é o locator aquele que entrega a coisa ou os materiais e paga o estipulado, sendo conductor aquele que os trabalha, recebendo, por isso, o pagamento; em relação a locatio-conductio operarum quem desempenha o papel de locator é o trabalhador que põe seu trabalho à disposição em troca da remuneração, que, logo, caberá ao conductor pagar. [Obs.: o locator é o locador, isto é, aquele que cede a outrem (o locatário) o uso e gozo de bem móvel ou imóvel, num contrato de locação e que percebe a paga; e o conductor é o locatário, ou seja, o que recebe a coisa pagando em troca a merces (salário, soldo, recompensa ou punição, castigo, rendimento, juros, preço, dano ou prejuízo)].

*    Aqui, trataremos do contrato de serviço que não se confunde com o contrato de concessão de serviço. No contrato de serviço, a Administração contrata uma pessoa para lhe prestar serviços. No contrato de concessão, a Administração contrata uma pessoa para prestar serviços para a sociedade (para os usuários) em seu lugar, como se a Administração fosse. Em relação, ao contrato de serviços, as atividades são atividades meio da administração. Já em relação, aos contratos de concessão uma atividade típica do estado é delegada para ser executada pelo particular.

2.  “O argumento de que a categoria não tem personalidade jurídica e de que o sindicato com ela se confunde é falacioso. A categoria profissional é a denominação dada a um fenômeno sociológico, assim como a categoria econômica é uma entidade social com projeções na Economia. E realmente a categoria, enquanto noção sociológica, não tem personalidade jurídica própria, mas isso não impede que a ciência do Direito lhe empreste, por ficção jurídica, uma personalidade, a exemplo do que faz com a massa falida, a herança, o feto em gestação e até certos projetos governamentais, que têm interesses a ser resguardados, assim como direitos e obrigações. E para protegê-los o Direito lhes outorga a qualidade de pessoa. Não deveria causar surpresa a utilização da mesma técnica, em relação à categoria, pelo Direito do Trabalho”. (GIGLIO, 1997. pp. 111-112).

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O Outro Mundo: As Praças Digitais e o Futuro das Cidades https://abayomiacademy.org/o-outro-mundo-as-pracas-digitais-e-o-futuro-das-cidades/ Fri, 12 Sep 2025 13:00:13 +0000 https://abayomiacademy.org/?p=5669 Por Alessandro Lopes

As cidades sempre foram lugares de encontro e confronto, onde a pluralidade encontra seu palco. 

Da ágora grega às praças coloniais, dos mercados africanos aos boulevards europeus, o espaço público foi o coração da vida urbana. Hoje, esse coração pulsa também no digital: feeds, hashtags e timelines tornaram-se a nova praça, simultaneamente universal e fragmentada. O que começa como um sussurro local pode ecoar como um grito planetário; e uma mentira pode atravessar fronteiras e corroer democracias em minutos.

É nesse território que surge a urgência da regulamentação. Regular não é silenciar: é proteger. Proteger a esfera pública de manipulações invisíveis, de algoritmos que amplificam ódio, de desinformações que envenenam o tecido social. Essas salvaguardas políticas não são barreiras contra a liberdade, mas raízes que a sustentam. Assim como as cidades precisam de planos diretores para crescer com justiça, o espaço digital precisa de normas que preservem a convivência e a integridade coletiva.

O desafio, porém, é inédito. A desinformação não pede visto, os discursos extremistas não atravessam alfândegas e as plataformas digitais já não conhecem soberania nacional.

Vivemos um paradoxo: enquanto nossas fronteiras físicas estão consolidadas, nossas divisões geopolíticas no digital ainda precisam ser criadas. É como se habitássemos um outro mundo, um território novo, sem tratados universais, sem linhas definidas, onde ainda buscamos os mapas. Hoje, a soberania se mede também em quem controla cabos submarinos, data centers e algoritmos; a diplomacia já não se limita a embaixadas, mas se joga também nas arenas invisíveis da informação.

Por isso, não basta que cada país legisle isoladamente. Precisamos de uma arquitetura multilateral que reconheça o digital como extensão da esfera pública global. Transparência algorítmica, proteção aos grupos vulneráveis, educação digital cidadã: eis os pilares de uma nova política internacional, capaz de equilibrar liberdade com responsabilidade, inovação com equidade, diversidade cultural com direitos universais. Sem isso, qualquer tentativa se dissolverá como espuma diante da força transnacional das redes.

Pensar o futuro da cidade sem pensar em suas redes é um erro de escala. O urbano já não é apenas concreto: é também fibra, onda e fluxo. Se buscamos cidades sustentáveis, inteligentes e humanas, precisamos igualmente de redes sociais amparadas por políticas de cuidado, capazes de transformar o espaço digital em extensão legítima do espaço público. Essas salvaguardas são o novo urbanismo digital: plantar árvores no asfalto algorítmico, abrir clareiras em meio às bolhas, criar praças virtuais onde a diferença seja encontro e não ameaça.

A pergunta que nos convoca é simples, mas decisiva: queremos viver em praças digitais frágeis, sujeitas a tempestades de ódio e manipulação, ou em praças digitais protegidas, abertas e férteis para futuros compartilhados? A resposta não definirá apenas o destino da internet — definirá o destino das próprias cidades, e com elas, o destino da humanidade.

Alessandro Lopes é arquiteto e consultor em BIM/CIM e Cidades Inteligentes, mestre em Direito Ambiental pela UNISANTOS, com foco em Cidades Criativas e Sustentáveis. Atua como Assessor na Prefeitura de Santos, liderando projetos de requalificação urbana e sustentabilidade, e como Coordenador do Curso de Arquitetura e Urbanismo da ESAMC Santos, conectando ensino, mercado e inovação. Especialista em gestão de projetos e sustentabilidade, é membro da CBIM, palestrante e comentarista em rádios e podcasts sobre inovação na construção civil. Destacam-se sua atuação na modernização da orla de Santos e na reestruturação do setor de qualidade e controle da administração pública.

Saiba mais sobre ele:

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Education That Is Born from Within: Self-Knowledge, Consciousness, Space, and Happiness in Learning https://abayomiacademy.org/education-that-is-born-from-within-self-knowledge-consciousness-space-and-happiness-in-learning/ Thu, 11 Sep 2025 13:00:56 +0000 https://abayomiacademy.org/?p=5696 By Patricia Fraga

On September 12 and 13, 2025, I will be virtually present in Ribeira do Pombal, Bahia, for the 1st International Symposium on Meditation, Consciousness, and Self-Knowledge: In Search of Integral Education. This gathering brings together researchers, educators, and professionals from diverse fields to reflect on how ancestral practices and wisdom, combined with contemporary research, can transform the way we understand education and life.

My contribution will be the lecture “Education That Is Born from Within: Self-Knowledge, Consciousness, Space, and Happiness in Learning.” In it, I share the conviction that every true educational process begins within each human being. Before discussing methodologies, curricula, or technological resources, we need to turn our gaze inward, cultivate awareness of who we are, and recognize our talents, values, and purposes.

Integral Education: More Than Teaching Content

Integral education goes far beyond transmitting knowledge. It invites us to see the human being in their entirety: body, mind, emotions, spirituality, and social relationships. Learning is not just about accumulating information, but about integrating experiences that strengthen our identity, expand our awareness, and prepare us to live with balance and purpose.

In this sense, the space where learning takes place plays a fundamental role. The way we organize the environment, whether a classroom, an atelier, a community space, or even our own home, directly influences our disposition to learn, create, and interact. An environment can be a source of stress and blockage, or it can serve as a stimulus for creativity, calm, and happiness.

The Abayomi Methodology and the Six Pillars of Transformation

From this vision emerged the Abayomi Methodology, a structured path based on six pillars that support the creation of intelligent and joyful environments. These pillars consider the intelligent use of available resources, balanced management of space and time, the quality of human relationships, clarity of individual and collective purposes, authentic communication, and the cultivation of happiness as both a goal and a daily practice.

This methodology was born from the convergence of architecture, urbanism, pedagogy, neuroscience, management, and other fields of knowledge. Over the years, I have observed that when educators, families, and leaders begin to see space not just as a backdrop, but as a protagonist in the educational process, something profound happens: learning comes alive, self-knowledge flourishes, and communities are strengthened.

A simple example is the “creative corner”, suggested by visual artist Renata Guimarães: a space dedicated to free expression and experimentation, which I recommend in schools and homes. It serves as an invitation for children and adults to explore their creativity, exercise autonomy, and reconnect with their essence. This kind of practice demonstrates how the environment can be a powerful ally in integral development.

Self-Knowledge and Happiness as Foundations

I argue that self-knowledge and consciousness are foundations of integral education, not optional complements. Without knowing oneself, it is impossible to learn fully and meaningfully. Without consciousness, we lose the ability to act with purpose. Without happiness, learning becomes dry, disconnected, and soulless.

When we unite self-knowledge, consciousness, space, and happiness, we create the conditions for each person to achieve not only their professional or academic goals but also their deepest human potential. Learning becomes part of life itself, not just a chapter in it.

An Invitation to Transformation

Participating in this Symposium in Ribeira do Pombal is, for me, an opportunity to share this vision while also learning from so many researchers and educators who believe in the transformation of society through integral education.

I invite you, reader, to reflect: what is the space like where you learn, teach, work, or interact? Does it foster creativity, calm, and genuine exchange? Does it support your dreams and deepest values?

Rethinking spaces—both physical and symbolic—also means rethinking who we are and who we want to become. It is believing that happiness is a daily practice that can be present in every detail of how we organize our lives and relationships.

Education that is born from within is, ultimately, an act of love toward oneself and the collective. It is a path that invites us to transform schools, homes, communities, and cities into spaces of self-knowledge, consciousness, and fulfillment.

Patrícia Fraga, a visionary and dynamic professional, holds a Ph.D. in Architecture, blending her passions for sustainable urbanism, education, and technology. With a multifaceted career spanning engineering, construction, and academia, she is the Founder of Abayomi and the Executive Director of Abayomi Academy. Patrícia’s global influence extends through her roles as an international speaker, published author, and advocate for Smart & Happy Environments. Her commitment to cultural inclusion shapes transformative projects worldwide, emphasizing the integration of technology with environmental responsibility. A mother of five, Patrícia’s journey reflects resilience, innovation, and dedication to creating positive, sustainable, and joyful living spaces worldwide.

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Brasileira reflorestando New York City. https://abayomiacademy.org/brasileira-reflorestando-new-york-city/ Wed, 10 Sep 2025 13:00:35 +0000 https://abayomiacademy.org/?p=5699 Simone Marques, fundadora da Green and Blue Eco
Care é nossa cidadã consciente do mês de setembro.

Por Renata Ross

1- Quem é Simone Marques?

Sou uma ambientalista apaixonada por nossa Mãe Natureza. Tive o privilégio de crescer
próximo a nossa natureza, com horta, árvores frutíferas e flores em casa, e sempre indo a
áreas rurais. Ao perceber a grande desconexão de muitas pessoas com nosso próprio meio
ambiente, resolvi me dedicar a esta causa essencial para nossa sobrevivência e contribuir para
ter mais vida e verde na selva de pedra.

2- O que te trouxe à New York?

Sou de São Paulo-SP e depois de vários episódios de assaltos, em que inclusive quebrei o pé em
um deles, resolvi fazer esta mudança com o apoio de amigos que moravam aqui. Além disso,
sempre me senti muito conectada a Nova York, por tudo o que oferece. Povos de todo o mundo
convivendo pacificamente e com acesso à arte são grandes atrativos para uma pessoa curiosa
como eu.

3- Como surgiu a ideia de criar a Green and Blue Eco Care e o que exatamente vocês fazem
na Big Apple?

Há 8 anos eu estava com muita vontade de plantar, mas não tinha nem uma sacada no
apartamento. Então vi que em frente ao meu prédio tinha um canteiro vazio e resolvi colocar
sementes de girassol ali, pra ajudar as nossas abelhas e embelezar a minha rua. Alguns
vizinhos diziam que eu estava perdendo meu tempo, que ninguém ia respeitar o espaço, mas
outros agradeciam e me cumprimentavam.

As crianças adoravam plantar e regar nosso “Guerrilla Garden” (jardins em espaços públicos). Resolvi escutar os otimistas e foi assim que aprendi mais sobre resiliência, comunidade e a própria natureza, já que percebi a quantidade imensa de abelhas e borboletas que estavam usufruindo do néctar e pólen disponíveis naquele pequeno jardim. Isso me incentivou a continuar e expandir. Procurei saber quem cuidava das nossas árvores e descobri que o NYC Parks oferece treinamento através do programa
chamado Super Steward e então comecei a organizar eventos para cuidar das árvores e limpar
as ruas. Atualmente oferecemos vários programas e estamos sempre expandindo. Temos
jardins com plantas nativas, organizamos eventos de cuidado das árvores urbanas, limpeza
comunitária, excursões a parques para educação ambiental com relação a plantas, água,
planejamento urbano, e criamos hortas e jardins em telhado verde, entre outros. Nossos
voluntários são moradores locais, estudantes e membros de diferentes organizações como a
dos Escoteiros.

4- Como é a aceitação do seu trabalho, enquanto imigrante, pela comunidade que você
atende?

Já percebi que algumas pessoas e grupos são fechados e pouco interessados em colaboração,
mas eu não ligo e sigo em frente. A gente sempre acha nossa tribo. É só procurar e encontrar
as pessoas que se identifiquem com você e seus valores.

5 – Conte-nos de experiências marcantes durante sua trajetória.

Muitas, mas vou mencionar o caso da Sra. Luiza, uma vizinha de 100 anos. Antes de se mudar,
a filha dela me agradeceu por plantar aqueles girassóis que ficavam bem na frente da janela
dela. Eu não sabia, mas ela estava acompanhando tudo o que fazíamos e isso a deixava muito
feliz. Eu criei o jardim pensando nas abelhas, mas os benefícios foram muito além disso, tanto
pra mim como pra minha comunidade. Também quando estamos em nossos jardins muitas
pessoas passam pra agradecer pelo nosso trabalho voluntário. Uma mulher me contou
emocionada como os girassóis lembravam da mãe dela, já falecida. Outra mulher, enfermeira,
em um hospital psiquiátrico disse que a melhor parte do dia dela era passar pelos nossos
jardins. Então, a gente nunca sabe quem também está se beneficiando de um simples jardim.


Além disso, gosto de saber que estou abrindo mentes através de nossas atividades com
estudantes e outros voluntários. Muitos nunca tinham usado ferramentas ou mesmo plantado algo, ou tinham uma ideia equivocada sobre a importância de conservação e regeneração de nossos ecossistemas e das ‘profissões verdes’.


Outra experiência marcante foi ser entrevistada para o livro Get Guerrilla Gardening, de Ellen
Miles, que reuniu projetos de diversas partes do mundo e criou um guia para que todos possam
começar seus jardins em espaços públicos.

6 – O que você pretende alcançar nos próximos anos aqui ou no Brasil?

Quero expandir nossas atividades em Nova York e trabalhar com mais escolas. Cada vez que
vou ao Brasil eu faço limpeza comunitária e participo de eventos relacionados à
sustentabilidade, mas quero fazer mais também, como por exemplo trabalhar com Secretarias
de Meio Ambiente para fazer um planejamento urbano com relação às árvores das calçadas.


Atualmente, esta é uma responsabilidade dos donos das propriedades que plantam o que querem (geralmente espécies de outros continentes, não adequadas à calçada, etc.).
Realmente todas as cidades precisam de um planejamento urbano verde que beneficie a
população e toda a biodiversidade local. Em Nova York já temos isso e se pode ser feito aqui,
pode ser feito em qualquer parte do mundo. Nós fazemos parte da coalizão Forest For All que reúne várias ONGs ambientais e conseguimos aprovar duas novas leis municipais que
garantem cobertura arbórea de 30% do território da cidade. Este é o mínimo que uma cidade
deve ter para garantir qualidade de vida para todos. Os benefícios das árvores urbanas são
muitos: valorização do imóvel, purificação do ar, controle da temperatura, redução de barulho,

prevenção de inundações, melhoria da saúde mental, entre muitos outros.

7- Que mensagem você pode deixar para nossos leitores?

Comece um jardim hoje mesmo, com plantas nativas da sua região e observe os pequenos e
grandes milagres ordinários que acontecem todos os dias e passam despercebidos. Mesmo um
pequeno jardim tem um grande impacto para quem o cria, quem o observa e para os nossos
animais que dependem dele para sua sobrevivência.

Converse com seus vizinhos e/ou
junte-se a grupos organizados (igreja, escola, Rotary, sua empresa, etc) e faça ações
comunitárias. Leve as crianças e adolescentes com você. Muitas lições de vida e muitas profissões começam com experiências oferecidas através do voluntariado. Não podemos
resolver todos os problemas do mundo, mas podemos fazer nossa parte em nossa
propriedade, bairro e cidade.

Renata Ross: Mulher, mãe, professora e escritora. Formada em Letras com Pós-graduação em Língua Inglesa. Membro da Academia Internacional de Literatura Brasileira. Autora de Fragmentos de um coração, S.O.S. Educação Infantil (Dicas de professor para professor), Arvorida, Arborling, De coração para coração e Tainha, o menino pescador e outras histórias. Brasileira vivendo nos Estados Unidos. Amo literatura, artes, música e natureza. Caminho com o propósito de promover educação cognitiva, emocional e ambiental.

Conheça mais sobre Renata: Instagram

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