Por Dr. Clarice Peres e Camila Rodil (14 anos, Planeta Ética)
Em uma dessas adoráveis tardes de verão, Camila e eu conversamos sobre o que significa solidariedade em nossas vidas.
Camila: Solidariedade é a consciência de compartilhar interesses, valores, crenças ou objetivos com outras pessoas.
Clarice: Exatamente … É sobre nós e não só sobre mim!
É ser EGOLESS e ter empatia, amor, respeito, bondade, compreensão e sinergia; é a união de simpatias, ideias e ideais. Uma responsabilidade social recíproca de que tanto precisamos para continuar existindo como sociedade.
Quando preparo meus pacientes no hospital para uma sessão de eletroencefalograma (ECG) ou para uma ressonância magnética cerebral (RM), não consigo medir ou mapear a solidariedade na atividade do cérebro do meu paciente. Não consigo nem monitorar a atividade elétrica quando ela se imagina ou simulamos uma situação colaborativa. Uma espectroscopia não é capaz de sinalizar mudanças na estrutura do cérebro sob “efeitos” de solidariedade. Quando investigo os padrões das oscilações elétricas do cérebro, e finalmente os mecanismos neurais, também não consigo identificar a solidariedade aí. Mas, apesar disso, eu sei que essa mesma paciente é solidária, porque ela colabora com outros pacientes menores do que ela para que não fiquem nervosos ao entrar nessas grandes máquinas de neuroimagem fMRI / MRS, dizendo:
– Não se preocupe, é uma máquina confortável e vai parecer que você está entrando em uma nave espacial!

Camila: Nossa, isso é super legal! Acredito que Solidariedade implica experimentar um sentimento de união com os outros. Pode representar algo, como uma causa. Pode ser apoio mútuo dentro de um grupo. Pode significar sentir empatia por alguém porque você teve uma experiência semelhante ou tem ideias semelhantes.
Então, para mostrar solidariedade, precisamos ouvir, entender e mostrar empatia para com os outros!
Durante os piores momentos da pandemia do Corona vírus, muitas pessoas mostraram solidariedade para com os outros. As pessoas tocavam música para outras pessoas em suas varandas, postavam mensagens de apoio aos profissionais de saúde e entregavam mantimentos às pessoas mais vulneráveis. Todos esses são exemplos de solidariedade.

Clarice: Falando da perspectiva da neuropsicologia, acredito que o ser humano, devido à nossa complexidade evolutiva, “registramos” essa necessidade de solidariedade em nossa memória genética para manter nossa espécie viva, por meio da colaboração ética. Somente através da colaboração seremos capazes de sobreviver. Nossa natureza, ethos, é social. Mesmo que nosso cérebro acredite em ficção, é melhor ser solidário!
Camila: Ultimamente, tenho experimentado solidariedade ao fazer novos amigos para o meu primeiro ano do ensino médio. Estar na mesma situação de outros calouros nos permite formar novos laços a partir de nossa situação compartilhada.

É um prazer para mim ter este momento de solidariedade com você Camila!
Sim, Clarice é super legal para mim também!
Autores: Camila Rodil, estudante de 14 anos, adora atuar, quer ser atriz de Hollywood e é bailarina, e a Dra. Clarice Peres, neurocientista, psicóloga, escritora e marinheira.



