Por Lica de Souza
Legenda da foto de capa: Raíssa Rocha Machado em treino de lançamento de Dardo no CT Paralímpico.
Foto: Ale Cabral/CPB.
Se o esporte já é em si uma atividade de superação física, imagine para uma pessoa com deficiência. Ser um atleta paralímpico é vencer limitações visíveis e invisíveis, é descobrir uma outra forma de lidar com o próprio corpo, usando pés, mãos, cotovelos, cabeça, boca, enfim, redescobrir os potenciais não óbvios de movimento e força de cada corpo.
Maior evento esportivo do mundo, cujo intuito não é apenas a exaltação da superação física, seja individual ou coletiva, mas também a manutenção de uma relação amistosa e diplomática entre os países, os Jogos Olímpicos, em sua versão moderna, foram recriados em 1896, na cidade de Atenas, na Grécia.
A partir de 1960, na edição em Roma, Itália, foi aberta a participação dos PCDs nos Jogos Paralímpicos de Verão. Na época, cerca de 400 atletas, de 23 países, participaram do evento.
Mas só em 1972, na edição de Heidelberg, Alemanha, acontece a participação brasileira nos Jogos Paralímpicos de Verão. A delegação era composta de apenas 20 atletas que disputaram em quatro modalidades, sem nenhuma medalha conquistada.
Quase 50 anos depois o quadro é muito diferente. Apenas em 1972 e 1980 o Brasil não conquistou medalhas. De lá para cá foram mais de 300 medalhas e a figuração entre os 20 países que mais medalharam na história. A Paralimpíada Rio-2016 conquistou de vez o coração dos torcedores, ao medalhar mais que os jogos principais, e nomes como o de Claudiney Batista passaram a fazer do panteão de grandes atletas brasileiros.
O Brasil já tem 127 vagas garantidas nos Jogos de Tóquio, de uma delegação estimada em 230 competidores (150 homens e 80 mulheres).
Com estreia prevista para Agosto, Tóquio/2020 permanece cercada de incertezas devido a pandemia de Covid. Competições sem público estrangeiro, aumento de infecções e uma população que preferia que os jogos fossem adiados de um lado. De outro, um gasto recorde de US$15 bilhões devido ao adiamento de 2020 para 2021, atletas com grande investimento físico e emocional, sem falar no tempo limite para aqueles em que esta é a última Olimpíada – o tempo não é amigo da alta performance.



