O que te move?

By Bruno Simoni

Pois é, parece fácil responder essa pergunta, mas seja sincero contigo. Você já parou para pensar o que te faz entrar em Ação, por inteiro?

Ou caso você não esteja conseguindo ir para ação, o que está faltando? O que precisa acontecer para você partir para a ação.

Se nos basearmos na psicologia positiva, encontraremos sintonia com um dos requisitos encontrados nas pessoas felizes. O propósito. E, ao aprofundarmos, estudando o que leva a pessoas a ter maior longevidade, chegamos a Okinawa, região do Japão na qual encontramos as pessoas de maior longevidade do mundo. E, ao buscar identificar o que as levam a viver mais, chegamos ao Ikigai (Iki = Vida, Gai = Valer a pena) – O que faz sua vida valer a pena.

Ikigai! Me apaixonei por esse tema quando estudei a Psicologia Positiva. E, para me deixar muito mais curioso e feliz, veio junto a consciência da Teoria do Flow. Aproveito e já deixo aqui meu agradecimento ao meu mestre Helder Kamei, minha referência da Psicologia Positiva, que soube, com toda sua sutileza e amor, fazer florescer a curiosidade para meu mergulhar profundo nos ensinamentos de Martin Seligman e Mihaly Csikszentmihalyi, pais da Psicologia Positiva.

Se você ainda não parou para sentir, sim, não estou falando de entender esses dois temas. Eles, nós precisamos sentir, vivenciar. Eu, de verdade, te convido a explorar mais. Não os conceitos, mas, essas filosofias de vida.

Sendo muito humilde, deixo aqui o básico para você já ir se familiarizando com os temas.

Para tornar mais claro seu Ikigai, quatro perguntas são necessárias responder. E eu já compartilho contigo um pouco da maneira que gosto de fazer:

  1. O que você faz bem?
  2. O que você ama fazer?
  3. O que você pode fazer e ser pago por isso?
  4. O que você faz ou pode fazer e é bom para o mundo?

Responder essas três perguntas deve te levar a várias reflexões mas, certamente podem ser identificadas nessa imagem abaixo:

Seu IKIGAI deverá estar na interseção das quatro respostas.

Agora aqui vai um detalhe: quando eu aplico a dinâmica do Ikigai, faço partindo do Eu Criança e não utilizamos na primeira fase a escrita…

Você precisa experienciar construir, clarear ou validar seu Ikigai através de sua criança. Aquela que sempre esteve contigo, que pode até não estar sendo acessada mas, com certeza, está louca para brincar. E, possivelmente você irá experienciar um lindo momento de Flow.

Falando do Flow, o seu conceito, batizado assim pelo Mihaly Csikszentmihalyi, quem primeiro o investigou, é “O estado de gratificação em que entramos quando nos concentramos completamente no que estamos fazendo”.

Sabe aquele momento que parece que o tempo pára? Quando você está fazendo exatamente o que quer fazer e desejando que nunca acabe? Quando não sente fome, sede…? Apenas flui?

Esse é o Estado de Flow!!!

A teoria do Flow nos evidencia que ele acontece quando nossos desafios estão em sintonia com nossas habilidades.

Essas são algumas características marcantes do Estado de Flow:

precisamos ter uma meta ou desafio claros, que exigem habilidades, exigem concentração;

não precisamos de feedback para dizer se estamos indo bem. O próprio estado de flow nos retroalimenta, sendo o envolvimento intenso e natural, e

 

temos senso de controle. Passamos a ser o que estamos fazendo, não existindo diferenciação do Eu e da tarefa. O tempo para!!!

Uau!!!!

Quando tomei consciência que já havia vivido inúmeros momentos de Flow e que isso me movia, tudo mudou em minha vida!!!!

Fui validar meu Ikigai e vi que ao estar em sintonia com ele eu consequentemente vivia o estado de Flow. Passei a ser um criador de momentos de Flow. E o mais espetacular foi presenciar e validar na literatura e na ciência que o estado de Flow pode ser coletivo. Aí foi o suprassumo pois, meu Ikigai passa por compartilhar experiências vividas e nada melhor do que compartilhar o estado de Flow!!!

Percebe claramente que o Flow é o caminho para alta performance? Pois quanto mais eu estou em ação, mais minhas habilidades crescem. E com isso, eu busco desafios maiores, senão, vou para o estado de tédio. E com isso, ao me colocar em estado de Flow estou em contínua evolução?

Imagina isso sendo praticado nas organizações, nas comunidades, nas “tribos”!!!!

Mas voltando à pergunta: O que te move?

Talvez ao responder o que te deixa em Flow, você encontre algumas respostas.

Bora lá, não precisa tomar decisões definitivas, mas dar os primeiros passos é fundamental. O que precisa acontecer para você tirar aquele projeto do papel? Se não está no papel, talvez esse seja o primeiro passo, escreve, desenha. Já ouviu falar de Mapa mental? Adoro!!!! Ajuda a organizar minhas ideias…

Eu falava, quando era executivo, que no Powerpoint estava lindo, mas queria ver na prática!!!! Então Bora para a Ação!!!

Se não está conseguindo ir sozinho, grita!!! Pede ajuda!!! Em quem você confia e que pode te ajudar???

No livro Amar é a única revolução, Geral Huther nos traz que o que causa o medo e o stress é a falta de confiança e para superá-los existem três caminhos:

Autoconfiança, ou seja, confiança nas próprias aptidões e competências;

Confiança em outras pessoas que possam te apoiar na superação das situações difíceis; e

Confiança que independente do que acontecer você vai superar e vai encontrar no mundo um porto seguro que vai te permitir seguir em frente…

 

Ou seja, confiança em si mesmo, nos outros e no mundo…

“… a única fonte dessa confiança para nós seres humanos: o Amor. Precisamos deixar entrar o amor em nossa gaiola, a fim de nos tornamos realmente livres, para reencontrarmos nossa alegria de viver, nosso prazer em descobrir e modelar por conta própria…”

A cada dia tenho mais convicção que a energia que me move é a mesma que encontro no meu Ikigai, que está presente nos meus momentos de puro Flow e que torna meu caminho um caminho divertido e com significado:

O Amor…

Notas:

SELIGMAN, Martin, E .P, Felicidade Autêntica, Usando a Psicologia Positiva para a Realização Permanente, Rio de Janeiro – RJ, Editora Schwarcz S.A., 2016.

ANSELM, Grun, Amar é a única revolução, A força transformadora do amor, a partir das ciências, da filosofia e da religião. Petrópolis, RJ: Vozes, 2019.

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