Por Beto Marcelino, presidente do conselho do iCities
Vivemos um tempo em que o impacto das mudanças climáticas deixou de ser uma previsão distante para se tornar uma realidade falada em nosso cotidiano. As fortes chuvas, ondas de calor intensas que quebram recordes e crises hídricas já fazem parte do noticiário e, mais do que isso, impactam diretamente a vida de milhões de brasileiros. Diante desse cenário, não há mais dúvida: as cidades estão na linha de frente dos impactos da crise climática, porém, também têm um papel fundamental em seu enfrentamento. É nos territórios urbanos que os efeitos do clima se manifestam de forma mais intensa e desigual, mas é também neles que reside o maior potencial de transformação.
As cidades são ecossistemas vivos, formados por pessoas, fluxos e histórias. E, por isso, devem ser entendidas como atores estratégicos na construção da resiliência climática. Não basta reagir a desastres naturais apenas quando eles acontecem; é preciso prevê-los, para então elaborar planos de contingência, adaptação e prevenção. A resiliência urbana não é apenas sobre resistência, mas sobre a capacidade de se reinventar, aprender com as crises e criar soluções sustentáveis e integradas.
No Brasil, exemplos inspiradores começam a ganhar forma. Cidades como Curitiba, Niterói e Recife têm se destacado por incorporar a pauta climática em suas políticas públicas. Niterói, por exemplo, já conta com um Plano Municipal de Adaptação Climática, que combina infraestrutura verde, reflorestamento e educação ambiental. Em Curitiba, projetos de mobilidade sustentável, como o Caminhar Melhor, e projetos de lei que assegurem a ampliação de áreas verdes consolidam uma visão de cidade inteligente, sustentável e humana. Desde 2019, Curitiba deixou mais verde quase 30 quilômetros por meio da criação de novas áreas arborizadas, gerando sombra, enriquecimento da qualidade do ar e mais conforto térmico em diversos bairros.
Em outras partes do mundo, o compromisso das cidades também se fortalece. Copenhague pretende se tornar a primeira capital neutra em carbono ainda este ano, e Roterdã, na Holanda, vem sendo referência em soluções de adaptação com seu sistema inovador na criação de espaços multifuncionais que combinam drenagem urbana e lazer. São alguns exemplos de cidades que mostram, na prática, que governança, inovação e engajamento social são os pilares de uma nova cultura urbana voltada à sustentabilidade.
A construção dessa agenda exige, acima de tudo, vontade política. Precisamos de novas lideranças, que trabalhem com propósito, fazendo uso dos recursos em termos de inovação. Os gestores municipais têm um papel fundamental: são eles que conhecem os desafios e potencialidades de seus territórios, e que podem traduzir a agenda global do clima em ações locais concretas, que impactam a vida das pessoas.
É por isso que, no Smart City Expo Curitiba 2026, o tema da resiliência climática urbana fará parte das discussões. O evento, que vem crescendo a cada ano, será um espaço de diálogo e inspiração para gestores públicos, empresas, pesquisadores e cidadãos comprometidos com o futuro das cidades. E para aqueles que já estão fazendo a diferença, as inscrições para o Smart City Expo Curitiba Brazilian Awards 2026 estão abertas! É uma oportunidade de dar visibilidade às boas práticas que já estão transformando o Brasil.
Afinal, nós sabemos que as iniciativas criadas nas cidades acabam se transformando em verdadeiras vitrines para o futuro que construímos diariamente. E, se quisermos que esse futuro seja sustentável, inclusivo e resiliente, precisamos começar agora a fortalecer quem está nas pontas, conectando conhecimento e inspirando ações que tornem o amanhã mais sustentável, inteligente e humano.

Beto Marcelino é presidente do Conselho do Grupo iCities e sócio-fundador da holding brasileira de referência no ecossistema de inovação urbana e cidades inteligentes. Agente pioneiro da temática, foi um dos relatores da Carta Brasileira de Cidades Inteligentes, iniciativa do Ministério das Cidades, e também integrou o programa Cidades 4.0, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), contribuindo para a construção da Política Nacional de Cidades Inteligentes.
Formado em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) com especialização em cidades inteligentes pelo Smart City Expert e MBA em Marketing pela FAE Business School, é embaixador da Fira Barcelona no Brasil, fortalecendo a conexão entre eventos globais e o contexto urbano brasileiro.
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