O papel da IoT na construção da economia do futuro

Por Beto Marcelino, presidente do conselho do iCities

Nos últimos anos, temos ouvido com mais frequência falar sobre a Internet das Coisas, ou simplesmente IoT (Internet of Things). Para alguns, pode parecer um conceito restrito a empresas de tecnologia ou a filmes futurísticos, mas a verdade é que a IoT já está moldando profundamente o nosso dia a dia e o futuro da economia global.

Vivemos em um mundo onde a conectividade deixou de ser um luxo para se tornar algo essencial. Dispositivos, sensores e sistemas estão se comunicando entre si de maneira invisível, mas com impactos extremamente tangíveis. Da logística inteligente que garante mais eficiência na distribuição de alimentos, ao monitoramento remoto de pacientes em hospitais, passando pela gestão otimizada de energia nas cidades: IoT é a espinha dorsal de uma nova era econômica.

Essa transformação não é apenas tecnológica; é também cultural e social. Ela exige que repensemos a forma como produzimos, consumimos e gerimos recursos. No passado, a revolução industrial foi marcada pela mecanização, pela eletricidade e, mais tarde, pela computação. Hoje, estamos diante de uma revolução invisível aos olhos, mas igualmente poderosa: a da hiperconectividade, que integra os mundos físico e digital de maneira inseparável.

O grande diferencial da IoT é justamente sua capacidade de criar valor a partir da informação. Quando dados coletados por sensores são analisados e transformados em conhecimento, abre-se um campo ilimitado de possibilidades para a ação pautada em fatos e, assim, o caminho para a inovação e novos modelos de negócio fica mais fácil de ser traçado. Eu acredito que essa seja a base da economia do futuro, uma economia orientada por dados, ou seja, que se orienta pela realidade das pessoas.

Segundo um levantamento feito pela McKinsey & Company, a internet das coisas tem um potencial impacto econômico de US$ 3,9 trilhões a US$ 11,1 trilhões agora em 2025. Este impacto é causado pelo aumento de produtividade, maior economia de tempo e pela melhor utilização de ativos. 

Aqui,  é importante lembrar que tecnologia, por si só, não é solução, mas sim um meio para criarmos soluções mais inteligentes e assertivas. A forma como aplicamos a IoT que determina  seu impacto. 

Justamente por isso precisamos  de estratégias que coloquem as pessoas no centro, garantindo que o avanço tecnológico não aumente desigualdades, e sim gere oportunidades e prosperidade compartilhada. A IoT pode, por exemplo, ajudar a democratizar o acesso à saúde, à educação e a serviços públicos de qualidade, desde que seja pensada de maneira acessível e responsável.

É com essa visão que, nos dias 3 e 4 de setembro, realizaremos em São Paulo o IoT Solutions Congress Brasil, o maior evento da América Latina dedicado à Internet das Coisas e suas aplicações no mundo real. Serão dois dias reunindo líderes empresariais, especialistas, autoridades e empreendedores para debater e mostrar, na prática, como a IoT já está transformando setores inteiros e criando oportunidades inéditas para o Brasil.

A programação vai muito além de apresentações técnicas. Vamos discutir tendências globais, casos de sucesso e, sobretudo, o potencial do Brasil nesse cenário. Temos capacidade de sermos agentes-chave na economia digital, aproveitando nossa diversidade, criatividade e capacidade de inovar mesmo diante de desafios. Mas para isso, é preciso unir esforços entre o poder público, o privado e a sociedade civil.

O futuro da economia não será apenas sobre tecnologia, mas sobre conexões: as que acontecem entre as máquinas, entre os dados e, principalmente, entre as pessoas. E eventos como o IoT Solutions Congress Brasil são espaços privilegiados para que esses vínculos aconteçam, se fortaleçam e se transformem em ações concretas.

Beto Marcelino é presidente do Conselho do Grupo iCities e sócio-fundador da holding brasileira referência no ecossistema de inovação urbana e cidades inteligentes. Agente pioneiro da temática, foi um dos relatores da Carta Brasileira de Cidades Inteligentes, iniciativa do Ministério das Cidades, e também integrou o programa Cidades 4.0, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), contribuindo para a construção da Política Nacional de Cidades Inteligentes.

Formado em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)  com especialização em cidades inteligentes pelo Smart City Expert e MBA em Marketing pela FAE Business School, é embaixador da Fira Barcelona no Brasil, fortalecendo a conexão entre eventos globais e o contexto urbano brasileiro.

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