Por Maisa Tobias
Vivemos tempos que nos desafiam em termos de princípios e escolhas. A perda já faz parte do dia-a-dia, e vamos aprendendo a conviver com ela. A necessidade de confinamento e evitar aglomeração evidenciou grandes desigualdades sociais e a importância do domínio da tecnologia. Em contrapartida, oportunidades surgiram.
A questão é como cada cidadão está lidando com todo esse contexto do “novo normal”.
O que é este novo normal?
Um conceito, até então, tido como um estado ao qual uma sociedade se recompõe após uma crise, quando esta difere de uma situação anterior a esta crise. O que significa uma mudança substancial no modo de vida, com enorme possibilidade da não retomada do status anterior, pelo menos para a maioria global. O momento, ainda, é de mergulho na pandemia, o que torna o “novo normal” ainda um conceito vago e contraditório.
Trazendo a questão para a mobilidade urbana, em especial nas cidades brasileiras, se vive uma crise sem precedentes sendo notório, por exemplo, os problemas no mercado dos transportes públicos.

Na circulação, do ponto de vista pessoal, por um bom tempo, teremos muitos vidros separando pessoas, o uso de máscaras faciais e a constante higienização. Como também, a preferência das pessoas pelas compras on-line e o trabalho em home-office, ou seja, mudanças na forma de interação social, nos hábitos de consumo e no mercado de trabalho.
A situação atual requer reflexão e ação no sentido de atender a uma nova configuração da dinâmica da mobilidade urbana. É fato de que o “novo normal” não ocorrerá de maneira igualitária, e cada lugar deverá constituir soluções face aos impactos da pandemia sobre a demanda de transportes, bem como é fato a necessidade de distanciamento social ter impacto fortemente no transporte de massa em todo mundo, abrindo uma vaga para o aumento do transporte individual, e a corrida para o uso do automóvel.
O “novo normal” traz consigo possibilidades de se reinventar as funções sociais do espaço urbano, com uma lógica de planejamento, em que os governos e a iniciativa privada possam atuar em conjunto em soluções para um transporte público eficiente e ecologicamente sustentável, atentos aos protocolos de saúde.
Adicionalmente, ampliar espaços para pedestres, tornando as cidades mais caminháveis, e incentivar o uso de bicicletas em trajetos curtos e médios, considerando a melhor distribuição de espaços entre pedestres, ciclistas e automóveis.

A pandemia, também, mostrou o quanto a redução de fluxos de tráfego deixou as cidades mais vazias e menos congestionadas. Talvez, a flexibilidade ao trabalho poderia ser uma boa medida de gestão de demanda, para evitar congestionamentos no “novo normal”, que não dependeria somente de ações governamentais, mas também da conscientização das pessoas a respeito dos benefícios proporcionados por esta adaptação.
Finalmente, o futuro desponta para uma mobilidade urbana que não esteja somente concentrada em veículos movidos à combustão, mas num mundo mais colaborativo, movido por energias renováveis, como a mobilidade elétrica, com soluções multimodais, permitindo a interligação entre automóveis, transporte de massa, bicicletas, scooters, aplicativos de compartilhamento, e até mesmo com espaços caminháveis.
O advento do “novo normal” está sendo um despertar para um mundo mais solidário e para a necessidade de procurarmos cidades mais humanas e com melhor qualidade de vida.


