Manutenção: Uma Cultura a Ser Implantada – Mais do que paredes, cuidado com pessoas

Por Taina Volcov

No dia a dia, inspecionando diversos condomínios, é possível perceber o quanto as ações rotineiras de manutenção ainda são negligenciadas. Essas ações vão desde tarefas simples, como pintura, verificação e repasse de rejunte nos revestimentos cerâmicos e porcelanatos, até medidas mais complexas, como a contratação de profissionais especializados para identificar e solucionar a origem de infiltrações e vazamentos. Muitas vezes, pequenos detalhes ignorados evoluem para problemas estruturais e de saúde, que poderiam ser evitados com acompanhamento regular.

Costumo dizer que não temos, no Brasil, uma cultura sólida de manutenção. Ela anda em marcha lenta, quase parando, e só ganha destaque quando a situação já está “feia” e exige intervenções urgentes. Esse comportamento reativo encarece as soluções e coloca em risco a segurança e o bem-estar das pessoas que utilizam esses ambientes.

Quando entendemos o quanto a manutenção preventiva contribui para a saúde e segurança dos ocupantes, passamos a enxergá-la como investimento, não como despesa. E aqui vale lembrar: por “ambientes construídos” não falamos apenas de residências, mas também de escolas, comércios, escritórios, hospitais e qualquer outro espaço edificado.

A diferença entre manutenção preventiva e corretiva é simples: a preventiva é planejada para monitorar e evitar problemas antes que eles surjam; já a corretiva atua quando o problema já está instalado e precisa ser resolvido. É como cuidar do corpo: exames e hábitos saudáveis previnem doenças; consultas médicas e tratamentos são necessários quando algo já está errado.

Adiar cuidados traz riscos silenciosos. Ambientes sem manutenção acumulam infiltrações, mofo, sistemas elétricos sobrecarregados, iluminação deficiente, ruídos excessivos e qualidade de ar comprometida. Esses fatores não apenas reduzem o conforto, mas também podem desencadear doenças respiratórias, alergias, fadiga, estresse e até acidentes. Problemas relacionados à água merecem atenção especial, pois infiltrações e vazamentos comprometem a estrutura, favorecem fungos e bactérias e afetam diretamente a saúde.

Os benefícios da manutenção preventiva vão além da saúde: ela reduz custos a longo prazo, evita reformas emergenciais e prolonga a vida útil de materiais e equipamentos. Também é uma aliada da sustentabilidade, pois otimiza o uso de recursos, diminui desperdícios e reduz a geração de resíduos.

Mais do que conservar paredes e estruturas, a manutenção é um ato de cuidado com pessoas. Incorporá-la como parte essencial da gestão de qualquer ambiente construído é investir na qualidade de vida, na segurança e no bem-estar coletivo. Afinal, manutenção é prevenção, e prevenção é cuidado — um cuidado que se reflete no bolso, na tranquilidade e na saúde de todos que convivem nesses espaços.

Taina Volcov é arquiteta e urbanista, apaixonada por imaginar e desenhar espaços desde a infância. Aos 11 anos, já criava cenas e conversas em vídeo chamadas — em plena década de 1990. Aos 17, foi pioneira em sua família ao ingressar na universidade, realizando o sonho de infância de transformar rabiscos em projetos reais. Atua desde 2011 na área de Engenharia Diagnóstica, cuidando da saúde das edificações e investigando como os ambientes construídos afetam a saúde das pessoas e das cidades. Seu olhar atento une técnica e sensibilidade, guiando reflexões sobre bem-estar urbano. Na Coluna Saúde e Bem-Estar, compartilha sua vivência com leitores em português, buscando inspirar novas formas de viver, habitar e construir juntos um futuro mais saudável e feliz.

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