LEVANDO O VERDE ÀS COMUNIDADES CARENTES

Por José Luis Viana do Couto

Antecedentes

No último Smart Cities Summit 2025 em Salvador – BA, eu apresentei em vídeo o trabalho Núcleo Habitacional Padrão em Comunidades Periféricas, com sugestões para a urbanização de favelas, priorizando casas de alvenaria pequenas, mas confortáveis, com os equipamentos urbanísticos mínimos para a fixação de comunidades e a adoção de equipamentos e serviços para aumentar a resiliência, como fogão solar, carneiro hidráulico, dessalinizador de água caseiro e armazenagem da água da chuva em pedaços de tubo de PVC. Complementando a proposta, que visa empoderar seus ocupantes, o objetivo agora é implantar o verde nas residências e no entorno, com a adoção de canteiros de hortaliças e plantas medicinais, arborização urbana, wetlands construídas de pequeno porte em algumas ruas e decoração com plantas qualificadas nas residências. A Figura abaixo mostra o local escolhido para os canteiros, no terraço da casa de 60 m².

Terraço com canteiros de hortaliças

Introdução

O verde é a cor da renovação, seja na tinta da sua parede, como na clorofila das plantas que decoram o ambiente, e melhora a sua saúde física e emocional. Na revista Bons Fluidos, julho de 2016, no artigo Ecologia no Divã, Marco Aurélio Bilibio, especialista em Ecopsicologia, afirma que “o contato com o verde estimula a sensorialidade e acaba induzindo a um contato consigo mesmo. Ponto de partida para o respeito ao meio ambiente”.

A implantação do verde (das plantas, em especial) nas comunidades periféricas oferece serviços que superam os ambientais, relativos à temperatura, purificação do ar, redução do ruído e lazer contemplativo. O contato com as plantas é antidepressivo e pode levar os psicoterapeutas a começarem a pensar em prescrever a natureza como um elemento importante da saúde mental.

Hortas domésticas e medicinais

Os principais objetivos das hortas plantadas nos terraços das residências, como mostrado na Figura acima, são: a) complementar a alimentação e atender à saúde; b) dar emprego aos moradores; e c) utilizar o composto gerado pela mistura de restos de alimentos e celulose da poda de árvores produzidos localmente.

Se os canteiros suspensos forem dotados de bandeja embaixo e canalização do efluente, o piso cimentado e impermeabilizado do terraço poderá servir para captar a água da chuva, que servirá às plantas e ao consumo doméstico.

Arborização urbana

Como as ruas principais do Núcleo Padrão foram projetadas com largura de 20 m, haverá espaço suficiente para a arborização urbana e da praça central, cuja poda será destinada à compostagem.

A Figura abaixo mostra uma maquete de praça pública feita por alunos de Arquitetura, enfatizando que a praça deverá ser projetada por especialista, para que seja dotada de recursos didáticos (colocando plaqueta com o nome vulgar e científico de cada espécie) e sociais (cadeiras e mesas de alvenaria de tampo com desenho para xadrez), além de locais para peças de teatro, música e venda de produtos artesanais.

Praça projetada por arquiteto.

Tratamento do esgoto com wetlands

O verde também poderá ser implantado nas ruas da comunidade, compondo os jardins das wetlands construídas nas áreas em que os esgotos domésticos puderem ser dispostos para tratamento.

As plantas são aquelas que se adaptam ao sistema de wetland

Paisagismo no interior das residências

A aquisição de algumas plantas no interior das casas tem como objetivo aumentar a autoestima dos moradores e, ao mesmo tempo, purificar o ar, criando espaços belos, terapêuticos, estimulantes e acolhedores. Para atrair bons fluidos, plantas como a Espada-de-São-Jorge (proteção), Bambu-da-Sorte (prosperidade), Lírio-da-Paz (harmonia), Alecrim (mente e proteção), Jasmim (felicidade e romance) e Lavanda (relaxamento), além da Gracia (Jade) e Dinheiro-em-Penca, ligadas à abundância, e o Girassol, que traz alegria e entusiasmo. Elas purificam o ar, promovem bem-estar e equilibram as energias do lar, variando entre proteção, prosperidade e tranquilidade.  

Conclusão

O verde das folhagens melhora o visual, fortalece a sensação de pertencimento dos sofridos moradores das comunidades periféricas, além de complementarem a alimentação, gerarem renda e proporcionarem bem-estar. A autonomia que virá com o apoio e incentivo dos líderes comunitários, tornará os Núcleos-Padrão bem mais independentes do poder público, criativos e produtivos.

Scroll to Top