Identificando conexões entre os ambientes e nossas emoções

Por Taina Volcov

Ao nos conectarmos com os ambientes de nossa casa (aqui, leia-se aquele espaço que hoje você chama de lar, seja uma casa ou apartamento), por meio de uma linguagem silenciosa deciframos as mensagens que cada cantinho nos deixa sobre nossas emoções e sentimentos.

A ambientação por meio de cores, aromas, texturas, sons e iluminação desperta conexões poderosas em nosso ser, trazendo para o corpo sensações variadas  como alegria, felicidade, conforto, dor, angústia, tristeza, incômodo, dentre outros.

Ambientes que geram ansiedade ou cansaço são em sua maioria desorganizados, ou possuem muitas informações, cores vibrantes em excesso, iluminação inadequada, tem problemas de funcionalidade ou tudo isso junto e misturado.  

A combinação de fatores sensoriais e funcionais sobrecarregam nosso sistema e impedem que o cérebro relaxe e se sinta seguro e a desordem pode gerar estresse e até reduzir sua produtividade se você trabalha em casa.

Já os ambientes que trazem a sensação de conforto, segurança e relaxamento normalmente são locais equilibrados e funcionais, com móveis bem distribuídos e que acolhem, possuem iluminação natural e artificial adequadas e podem ter vistas que permitem o cérebro se desconectar, acalmando a mente e o corpo.

E os ambientes que trazem alegria e disposição são organizados ( todo objeto possui seu lugar), as cores são utilizadas com inteligência (bases mais calmas e as cores vibrantes adicionadas pontualmente para criar focos de energia e alegria, sem carregar o local). Se valem de texturas agradáveis ao toque e que estimulam. 

Correções iniciais

Realize ajustes e mudanças conscientes nos espaços reorganizando os móveis, adicionando plantas, melhorando a iluminação, otimizando o armazenamento, tudo com o objetivo de criar ambientes mais alinhados com o nosso bem-estar emocional.

Para começar, convidamos você a olhar para os elementos que possui em sua casa. Móveis e objetos familiares ou presentes guardados e fotos que despertem sentimentos nostálgicos, alegres, de bons momentos vividos.

Adeque a iluminação dos ambientes para cada atividade ali exercida e renove as paredes com tinta. Contrate a consultoria de um profissional.

Se possível, dê preferência por materiais e texturas naturais: linho, algodão, lã, madeira.

Organize a disposição dos objetos e os armazene conforme o uso de cada ambiente, respeitando sua rotina e a de seus familiares. Isso ajuda a promover uma mente mais clara, evitando o desperdício de energia em tomadas de decisões.

Se possível, mova os móveis de lugar, criando áreas de circulação seguras (livres e fluídas) e otimizadas.

Por fim, ao identificarmos essas conexões entre o ambiente e nossas emoções, abrimos um caminho valioso para compreender nossas necessidades e desejos em relação ao nosso lar, criando ambientes que nos nutrem e apoiam, que têm propósito para os que ali vivem. Portanto, integrar essa prática de observação em nossa rotina pode ser extremamente benéfico para o nosso bem-estar geral.

Taina Volcov é arquiteta e urbanista, apaixonada por imaginar e desenhar espaços desde a infância. Aos 11 anos, já criava cenas e conversas em vídeo chamadas — em plena década de 1990. Aos 17, foi pioneira em sua família ao ingressar na universidade, realizando o sonho de infância de transformar rabiscos em projetos reais. Atua desde 2011 na área de Engenharia Diagnóstica, cuidando da saúde das edificações e investigando como os ambientes construídos afetam a saúde das pessoas e das cidades. Seu olhar atento une técnica e sensibilidade, guiando reflexões sobre bem-estar urbano. Na Coluna Saúde e Bem-Estar, compartilha sua vivência com leitores em português, buscando inspirar novas formas de viver, habitar e construir juntos um futuro mais saudável e feliz.

Acompanhe mais sobre seu trabalho e reflexões:
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 LinkedIn: Taina Volcov

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