Por Beto Marcelino, presidente do conselho do iCities
Criado pelo empreendedor, economista e autor belga Gunter Pauli, o conceito de economia azul apresenta um modelo de desenvolvimento que integra o uso sustentável dos recursos oceânicos e costeiros com a geração de negócios e empregos, sempre considerando o bem-estar social. No Brasil, um país de dimensões continentais, com mais de 8 mil quilômetros de litoral e onde se encontra a Amazônia Azul (território brasileiro que se estende desde a faixa costeira até o limite da Plataforma Continental – extensão submersa do território brasileiro), trazer este conceito para os holofotes é mais do que necessário, é urgente.
A economia do mar é estratégica para a construção de um futuro mais sustentável. No Brasil, atividades como pesca, turismo costeiro, energia renovável, biotecnologia marinha e transporte marítimo representam hoje, segundo dados da USP, 2,9% do PIB nacional, podendo chegar a 6,5% quando considerados os efeitos indiretos, e envolvem mais de 4,7 milhões de trabalhadores.
Levando em consideração essa potência, no ano passado, realizamos a primeira edição do Tomorrow Blue Economy Niterói e tivemos a honra de receber o próprio Gunter Pauli como palestrante. A ideia de trazer esse encontro internacional para o Brasil veio pelo senso de urgência em trazer à luz debates sobre temas como resiliência costeira, mudanças climáticas, esportes aquáticos, portos sustentáveis, tecnologia e governança das águas e mostrar a pluralidade de possibilidades que a economia do mar apresenta para o nosso país. Criar e fortalecer espaços de troca como esse é fundamental para ampliar o engajamento de gestores públicos, empreendedores, pesquisadores e agentes da sociedade comprometidos com um modelo de desenvolvimento econômico inteligente e sustentável.
Pensando nas projeções para os próximos anos, segundo o relatório The Ocean Economy to 2050, da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o futuro da economia azul depende da capacidade global de equilibrar crescimento econômico, inovação e sustentabilidade ambiental. Sem uma ação coordenada, priorizando esses pilares, a deterioração das condições dos oceanos e a lentidão na transição energética podem comprometer tanto a geração de empregos quanto a biodiversidade e a estabilidade econômica até 2050. O estudo também destaca que hoje ainda há o baixo uso de tecnologias digitais e de informação nesse setor, o que limita ganhos de eficiência e inovação, mas, ao meu ver, revela uma grande oportunidade.
Na segunda edição do Tomorrow Blue Economy Niterói, queremos envolver a população local, que subsiste da economia do mar, compartilhando conhecimento, incentivando a inovação, a inclusão social e a sustentabilidade ambiental. Para a construção de uma economia azul orientada para o futuro, temos que desenhar uma economia capaz de gerar desenvolvimento sem comprometer os ecossistemas marinhos e o bem-estar das populações que deles dependem.
Além disso, outras frentes de trabalho fundamentais como os esforços voltados à preservação da biodiversidade marinha, à transição para fontes de energia renováveis (especialmente a eólica offshore) e ao fortalecimento do turismo sustentável, como o turismo náutico, o ecoturismo e as atividades de observação da vida marinha, estarão em pauta no encontro e mostrarão que é possível explorar o potencial econômico do mar de forma responsável e regenerativa.
Em síntese, a economia azul é uma grande oportunidade para o Brasil alavancar seu desenvolvimento de forma sustentável, integrando inovação, empreendedorismo, preservação ambiental e inclusão social. E promover o debate é um passo fundamental para impulsionar essa agenda a fim de construir um futuro mais próspero, sustentável e equilibrado para todos nós.

Beto Marcelino é presidente do Conselho do Grupo iCities e sócio-fundador da holding brasileira referência no ecossistema de inovação urbana e cidades inteligentes. Agente pioneiro da temática, foi um dos relatores da Carta Brasileira de Cidades Inteligentes, iniciativa do Ministério das Cidades, e também integrou o programa Cidades 4.0, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), contribuindo para a construção da Política Nacional de Cidades Inteligentes.
Formado em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) com especialização em cidades inteligentes pelo Smart City Expert e MBA em Marketing pela FAE Business School, é embaixador da Fira Barcelona no Brasil, fortalecendo a conexão entre eventos globais e o contexto urbano brasileiro.
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Beto Marcelino serves as Chairman of the Board for iCities Group. He is the co-founder of the Brazilian holding company, a benchmark in the urban innovation and smart cities ecosystem. As a pioneering agent in this field, he was one of the rapporteurs for the Brazilian Charter of Smart Cities, an initiative by the Ministry of Cities, and also participated in the Cities 4.0 program, from the Ministry of Science, Technology, and Innovations (MCTI), contributing to the construction of the National Policy for Smart Cities.
He holds a degree in Agronomic Engineering from the Federal University of Paraná (UFPR), with a specialization in smart cities from Smart City Expert, and an MBA in Marketing from FAE Business School. He is also an ambassador for Fira Barcelona in Brazil, strengthening the connection between global events and the Brazilian urban context.


