Por Beto Marcelino – Presidente do Conselho do Grupo iCities
Quando nós do iCities começamos a falar sobre cidades inteligentes, há 14 anos, o termo ainda era pouco conhecido. Faltavam referências, entendimento e, ainda, abertura. Porém gradativamente cultivamos esta ideia que nasceu em nosso coração, com convicção e assim, a semente plantada, não apenas germinou, mas cresceu, e, agora, mostra alguns de seus frutos ao ganhar um lugar oficial no calendário da nossa amada cidade, que avança mais uma vez como pioneira no cenário nacional.
Curitiba acaba de dar um passo simbólico, mas importante: a aprovação, pela Câmara Municipal, do Dia das Cidades Inteligentes, que passa a ser celebrado em 12 de março. Esta é a primeira cidade do Brasil a dedicar um dia do seu calendário à temática. E esta decisão marca no calendário uma pauta que, para nós do iCities, já faz parte da rotina há mais de uma década. Passará a ser uma data em que estaremos ainda mais concentrados em elaborar formas de contribuir para a construção de cidades mais humanas, eficientes, sustentáveis e inclusivas.
Não se trata apenas de um dia do calendário, mas sim do reconhecimento de um tema que já foi visto como distante ou até mesmo utópico. Ver a pauta reconhecida oficialmente por Curitiba é uma conquista coletiva. Nada do que realizamos até aqui foi feito sozinho. Cada projeto, articulação e parceria contou com muitas mãos, ideias e visões que ajudaram a formar este ecossistema vivo e colaborativo que é o iCities.
Seguimos acreditando que o futuro das cidades inteligentes depende de muitos fatores, para além da tecnologia: depende de intenção, visão e de manter as pessoas no centro das decisões. E ao longo do tempo, vimos esse olhar se multiplicar. Hoje, há mais agentes públicos, empresas, universidades e cidadãos engajados na construção de cidades mais conectadas com suas reais necessidades.
Recentemente estive no Uruguai e fiquei impressionado com a forma orgânica e integrada com que o país conecta inovação e design inteligente de cidades em sua capital, Montevidéu. Isso me fez voltar o olhar para Curitiba com ainda mais atenção e perceber o quanto a cidade evoluiu, mesmo diante dos diversos desafios. Hoje, somos referência para outras cidades da América Latina e do mundo, não só pelos projetos, mas pela consistência com que eles vêm sendo construídos.
Nesse processo, entendi que liderar não é ter todas as respostas, mas fazer as perguntas certas: Como queremos viver? Que papel a tecnologia deve ocupar no cotidiano das pessoas? Como garantir que inovação seja sinônimo de inclusão e não de distanciamento?
Movidos por essas inquietações que trabalhamos há 14 anos, com o desejo de provocar uma nova forma de olhar para os espaços urbanos. De lá pra cá, nos tornamos referência não somente no Paraná, mas em todo o país. Realizamos 6 edições do maior evento de cidades inteligentes da América Latina, ajudamos a transformar ideias em políticas públicas, e desenvolvemos projetos aplicáveis e altamente replicáveis.

Nosso ponto de partida sempre foi o mesmo: as pessoas. Cidades inteligentes não são feitas de dispositivos ultra tecnológicos, sensores e algoritmos, mas sim de pessoas. Gente que sente, que vive o dia a dia e, acima de tudo, gente que precisa ser ouvida.
É com satisfação que vemos hoje uma nova mentalidade ganhar força. Universidades investem mais em pesquisas voltadas ao tema, o setor privado reconhece o valor da inovação urbana, e o poder público entende que usar a tecnologia a favor da gestão e do planejamento é, antes de mais nada, investir na qualidade de vida de seus cidadãos.
Por isso, mais do que celebrar uma conquista, este é um momento de abraçar a responsabilidade, de reafirmar compromissos e de seguir trabalhando para que Curitiba, e tantas outras cidades, avancem ainda mais nesse caminho. Cidades inteligentes não são um fim, mas sim um meio para garantir mais bem-estar, segurança, inclusão e qualidade de vida para as pessoas. E é por isso que seguimos. Porque sabemos que transformar uma cidade é transformar para melhor a vida daqueles que nela vivem.

Beto Marcelino é presidente do Conselho do Grupo iCities e sócio-fundador da holding brasileira referência no ecossistema de inovação urbana e cidades inteligentes. Agente pioneiro da temática, foi um dos relatores da Carta Brasileira de Cidades Inteligentes, iniciativa do Ministério das Cidades, e também integrou o programa Cidades 4.0, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), contribuindo para a construção da Política Nacional de Cidades Inteligentes.
Formado em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) com especialização em cidades inteligentes pelo Smart City Expert e MBA em Marketing pela FAE Business School, é embaixador da Fira Barcelona no Brasil, fortalecendo a conexão entre eventos globais e o contexto urbano brasileiro.
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