Por Taina Volcov
Anteriormente, iniciamos a jornada de autodescobrimento, a partir de uma observação consciente do espaço que nos acolhe diariamente.
Dando continuidade a essa exploração da “reconexão”, mergulhamos agora na experiência sensorial e emocional: quais sensações que teve no seu corpo e sentimentos que identificou enquanto realizava o processo de observação e análise dos ambientes da sua casa?
Ao percorrer os ambientes com um “um novo olhar” e atenção plena, talvez você tenha notado cenários antes desapercebidos. Mesmo passando muitas horas em casa, na maioria das vezes, as atividades são executadas no automático, circulando pelos ambientes sem nem ao menos notar o que está ocorrendo em volta. Em outras palavras, pode ser que esta tenha sido a primeira vez que você tenha notado a estrutura da sua casa.
O exercício de observação da casa deve ser realizado com frequência, para descobrir como somos estimulados pelos ambientes, identificando as nossas emoções e os sentimentos, abrindo caminho para compreendermos nossas necessidades e desejos.
Uma experiência pessoal
Uns anos atrás, participei de um curso que tinha o propósito de nos abrirmos às movimentações que ocorrem no universo, seguindo o fluxo natural da vida. Pois tudo o que flui, ensina que estamos no caminho certo. A ferramenta principal era o nosso olhar. Tanto é que a frase “os olhos são a janela da alma”, um provérbio, de autoria incerta, permeia a nossa história há séculos.
Fonte: Arquivo pessoal
O curso nos convidava a buscar o autoconhecimento por meio do lar. E aqui, abro um parêntese na história, para lembrar que atualmente existem diversas ferramentas de autoconhecimento, assim como livros de autoajuda e que tudo é bem-vindo, mas que nada disso, substitui um profissional especializado na área da saúde, que tenha estudado por anos, para tratar do nosso ser e do corpo físico. Inclusive, neste período do curso, eu fazia acompanhamento com uma psicóloga, o que foi fundamental para que eu pudesse compreender o que foi ocorrendo comigo ao longo do processo e realizar diversas descobertas pessoais.
Durante o curso, fui olhando para meus excessos e minhas faltas, observando os ambientes onde morava. Na época, fiquei muito resistente em aceitar e iniciar o processo. E infelizmente só tomei coragem por fazer, quando o curso estava por finalizar. Ainda assim, tive uma grata surpresa ao encerrar meu processo e fiquei admirada por diversas vezes no meio das “faxinas” programadas.
A quantidade de coisas que me possuíam e me deixavam presa no meio do caminho, enquanto todos ao meu redor seguiam sua jornada, era assustadora. O meu apego pelas pessoas e histórias do passado vividas, refletiu em muitos objetos guardados, desnecessários, já que ficaram fechados por anos e não eram acessados com frequência.
Quando comecei a enviar fotos das cartas e objetos guardados para as pessoas que eu ainda tinha algum tipo de contato, estas ficavam surpresas e nem se recordavam, que tinham sido a fonte daquele item.
Para mim, foi muito doloroso me desfazer dos excessos, sentimentos que não compreendia na época e muito espaço ocupado, esperando para ser liberado. Nesta jornada, descobri que meu senso de pertencimento ao lar era baixo, que algo já não me conectava mais. Dois anos depois, me mudei e hoje estou criando outra história entre as paredes da minha casa.
Hoje, quando olho para este momento, percebo que eu era uma pessoa apegada ao passado, me segurando em memórias de pessoas conhecidas que nem mais na minha vida estavam, apenas por medo de deixar partirem (ao menos na minha cabeça, já que fisicamente já tinha ocorrido), com medo de enfrentar o desconhecido e me abrir para o futuro.
Era um período em que eu vivia no passado, perdida entre um cenário confortável por ser conhecido ou projetada no futuro, com medo das coisas, que nem sabia se aconteceriam.
A cada objeto que era jogado fora, um pedaço de mim se abria ao novo, aceitando que a beleza da vida estava em ela não ser linear uma jornada incerta de altos e baixos e que, querer ter controle sobre tudo, era uma ilusão que me aprisionava ao medo da mudança e me impedia de abraçar as infinitas possibilidades que o desconhecido poderia oferecer.
Agora é com você
Se ainda não fez, pegue um caderno ou abra uma nota no celular, ou computador e escreva como se sentiu, olhando atentamente para cada cômodo. Identifique e separe os locais da casa em:
- Ambiente / local que traz alegria e disposição;
- Ambiente / local que traz a sensação de conforto, segurança e relaxamento;
- Ambiente / local que gera ansiedade ou cansaço.
Escreva para cada ambiente, um ou mais itens positivos e um ou mais itens negativos ou, o que você mais gosta e o que menos gosta. Guarde estas informações, que em breve traremos um direcionamento para iniciar as mudanças.

Desde criança, a imaginação foi sua grande companheira. Aos 11 anos, Taina já visualizava o futuro em conversas imaginárias por vídeo chamada, mesmo estando em 1995. Aos 12, rabiscava plantas e sonhava em ser arquiteta. Aos 17, tornou-se a primeira de sua família a ingressar na faculdade, rompendo ciclos e transformando sonhos em realidade.
Formada em Arquitetura e Urbanismo, sua paixão pela área a levou a explorar múltiplas possibilidades dentro da profissão. Desde 2011, atua na Engenharia Diagnóstica, dedicando-se à saúde das edificações e ao impacto que os ambientes construídos exercem na vida e no bem-estar das pessoas.
Seu trabalho é um convite à reflexão sobre como podemos construir espaços mais seguros, acessíveis e saudáveis, promovendo qualidade de vida para todos. Unidos, avançamos rumo a cidades mais humanas e inteligentes.
Acompanhe mais sobre seu trabalho e reflexões:
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