Casa para toda a vida – Parte II

Por Taina Volcov

Ter um lar que atenda a todas as fases da vida é garantir ambientes preparados para todos os momentos de alegria e prontos para alguns imprevistos que ocorrem ao longo dos anos.

Agora, você deve estar se perguntando: “Mas, se é um imprevisto, significa que não podemos prever, certo?

Certo!

Uma das definições da palavra imprevisto é: “aquilo que não foi previsto, o inesperado”. 

Mas e se, diante destas ocorrências, a sua casa fosse sua melhor aliada?

Está achando esta conversa sem fundamento? Leia estes exemplos:

Exemplo 1: Um belo dia, você está caminhando pela rua, torce o pé e precisa engessar a perna e utilizar muleta por um período.

Exemplo 2: Alguém da sua família passa mal e a única forma de auxiliá-la é chamar a emergência, que normalmente vai até o local de ambulância e retira a pessoa em uma maca.

Exemplo 3: Você ou alguém que mora com você faz uma cirurgia e precisa usar por um tempo cadeira de rodas para se locomover.

Exemplo 4: Você acorda no meio da noite para ir ao banheiro e, no escuro, bate seu pé contra um móvel.

Pronto! Agora, diga o que você imaginou ao ler cada cenário. Provavelmente, pensou em questões relacionadas à saúde, seguro de vida, reserva financeira, entre outras.

Também haverá quem diga: “Bobagem, não se deve ficar pensando nestes cenários negativos.”

Realmente, concordamos que precisamos viver a vida, sempre com bons pensamentos e atitudes positivas diante das circunstâncias que ela nos traz.

Mas ninguém está livre de passar por uma situação dessas na família.

E então vem a pergunta:

Seu lar está preparado para lhe proporcionar conforto, segurança e bem-estar enquanto atravessa essa fase temporária?

Existem detalhes que contribuem para a segurança e o bem-estar, que podem ser planejados e aplicados ao construir, reformar ou escolher uma nova moradia, seja casa ou apartamento.

OBSERVANDO SEU LAR

Após ler este artigo, saia da sua casa e retorne observando o percurso que faz desde a rua até o interior do seu lar. Dentro dele, repare como é a circulação entre os ambientes. 

Faça esta atividade durante o dia e à noite.

Observe o piso e identifique pequenos degraus. 

Nas áreas molhadas, como box de chuveiro e área externa, o revestimento é antiderrapante ou escorrega quando molhado?

Veja as escadas: os degraus possuem material antiderrapante? Há um corrimão adequado para apoio ao subir ou descer?

Repare se as portas são largas ou estreitas e se permitem a passagem de cadeiras de rodas.

Observe se os ambientes são bem iluminados, garantindo uma circulação segura durante a noite.

DEGRAUS

Piso de azulejo

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Foto: Arquivo pessoal

Degraus isolados no ambiente, com até 2 cm, parecem inofensivos, certo? Errado! 

Tanto para pessoas mais velhas, que têm a marcha mais lenta ou arrastam os pés, quanto para aquelas com mobilidade reduzida temporária, esse “pequeno” degrau pode se tornar um grande obstáculo e aumentar o risco de quedas.

Se o piso for da mesma cor e dificultar a percepção do desnível, o perigo é ainda maior.

A autora deste texto sentiu isso na pele aos 32 anos, quando, temporariamente, perdeu parte da mobilidade e levantar o pé para andar se tornou um desafio exaustivo.

Agora, imagine quem vive assim por anos…

REVESTIMENTO DE PISO

Atualmente, existe uma grande variedade de revestimentos de piso no mercado, despertando a vontade de reformar um ambiente só para utilizá-los.

Os tipos mais comuns são madeira, laminado, vinílico, cerâmica e porcelanato – este último, o queridinho do momento. Mas a escolha do piso deve ir além da estética.

De nada adianta ter um piso lindo em áreas molhadas, como o box do banheiro, se ele se torna escorregadio ao primeiro contato com a água.

Os pisos para essas áreas devem ter um coeficiente de atrito superior a 0,4 – uma recomendação da ABNT que poucas pessoas conhecem.

PORTAS

Bicicleta parada perto de porta de madeira

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Imagem gerada com o uso de Inteligência Artificial

Toda porta simboliza uma passagem entre dois mundos. Ela conecta espaços e garante segurança e privacidade.

Essa magia se quebra quando a passagem se torna um obstáculo, dificultando o acesso das pessoas.

É comum encontrar portas largas apenas na entrada das casas e, às vezes, na sala ou cozinha, para facilitar a passagem de móveis.

Porém, portas de banheiros, lavabos, quartos e outros cômodos costumam ser estreitas, com vãos reduzidos.

No dia a dia, isso pode não parecer um problema. Mas lembre-se: sua casa pode ser seu lar para a vida toda, e, em algum momento, alguém pode precisar de uma cadeira de rodas.

Enquanto escrevia este texto, a vizinha recebeu uma equipe de emergência para levar seu marido de ambulância. O momento que ficou marcado foi quando ele saiu de maca e teve que passar pelo portão da casa.

As normas recomendam que portas tenham, no mínimo, 80 cm de largura para permitir a passagem de uma cadeira de rodas. No entanto, essa medida pode ser insuficiente dependendo da situação – por exemplo, no caso de uma cadeira especial para pessoas obesas ou para duas pessoas passarem juntas (como alguém com muletas sendo auxiliado por outra pessoa).

Sem contar que portas mais largas facilitam mudanças e transporte de móveis.

ESCADAS

Uma imagem contendo edifício, quarto, de madeira, mesa

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Foto de Pixabay

Existem algumas escadas que são verdadeiras obras de arte. É ela que proporciona acesso a outros andares. Por isso, a escada deve garantir segurança para quem a utiliza e não ser apenas bonita. 

A foto que ilustra o texto, tem estética, mas não possui corrimão. O fechamento metálico com madeira na lateral, é chamado de guarda-corpo e serve para evitar quedas.

O corrimão é uma barra que acompanha todo o percurso da escada, serve como guia e dá estabilidade. Pode ter diversos formatos, desde que seja garantido o fechamento da mão em volta dele. Deve ser contínuo e o material de acabamento resistente e uniforme.

Sobre escadas para ambientes que não sejam residenciais, é necessário consultar as leis específicas para cada caso.

ILUMINAÇÃO

Uma imagem contendo no interior, piso, pequeno, em pé

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Foto: Arquivo pessoal

Quem nunca levou um belo tropeção em qualquer coisa perdida pela casa, quando tentou andar pelo escuro, para ir ao banheiro, no meio da noite, com receio de acordar outra pessoa?

Uma iluminação em pontos estratégicos contribui para identificar o entorno e o caminho com segurança, até determinado local.

Durante a noite, auxilia a localizar o percurso até o banheiro e, em qualquer momento do dia, contribui para que pessoas com baixa visão, seja por questões de saúde ou idade, circulem com segurança. 

Em outro momento, falaremos sobre a iluminação para realização das atividades diárias.

Para guiar as pessoas neste percurso noturno, existem opções como: balizadores para embutir na parede e, hoje no mercado, já são vendidos rodapés para receber iluminação e perfis de led prontos para rodapé. Só é necessário atentar na escolha do tipo de iluminação e a sua localização, para que não ofusquem a visão gerando um novo incômodo. Na dúvida, contrate um profissional para te auxiliar.

A iluminação sugerida pode ser acionada por sensores de presença ou por um botão de fácil acesso, próximo à cama ou à circulação.

Agora é com você

Desejamos que todos tenham saúde sempre. Mas se é possível trabalhar na prevenção, em vez de atuar na correção, deixando a cabeça livre para outras decisões nestes momentos de imprevistos, por que não o fazer?

Estes detalhes acima apresentados contribuirão no dia a dia para que uma pessoa continue utilizando sua casa, mesmo nestes cenários.

Olhe para a sua casa como a extensão do seu corpo e crie o hábito de perceber o que pode melhorar e como cuidar, assim como cuida de sua saúde física e mental.

Desde criança, a imaginação foi sua grande companheira. Aos 11 anos, Taina já visualizava o futuro em conversas imaginárias por vídeo chamada, mesmo estando em 1995. Aos 12, rabiscava plantas e sonhava em ser arquiteta. Aos 17, tornou-se a primeira de sua família a ingressar na faculdade, rompendo ciclos e transformando sonhos em realidade.

Formada em Arquitetura e Urbanismo, sua paixão pela área a levou a explorar múltiplas possibilidades dentro da profissão. Desde 2011, atua na Engenharia Diagnóstica, dedicando-se à saúde das edificações e ao impacto que os ambientes construídos exercem na vida e no bem-estar das pessoas.

Seu trabalho é um convite à reflexão sobre como podemos construir espaços mais seguros, acessíveis e saudáveis, promovendo qualidade de vida para todos. Unidos, avançamos rumo a cidades mais humanas e inteligentes.

 Acompanhe mais sobre seu trabalho e reflexões:
 Instagram: @tainavolcov
 Instagram 2: @taina.volcov
 LinkedIn: Taina Volcov

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