Por Taina Volcov
Quantas vezes ao ano você sofre com crises alérgicas, dores de cabeça, cansaço, sonolência, vista cansada ou dores pelo corpo e vive a base de remédios e/ou remédios? Quantas vezes passamos de um medicamento para o outro, sem nem ao menos aliviarem as sensações?
Quantos exames e consultas que nada acusam de errado com o nosso corpo físico e continuamos insistindo, sem parar para questionar o que mais pode estar ocorrendo ao nosso redor e que esteja colaborando com nosso adoecimento.
Não trazemos uma apologia contra médicos e medicações. Apenas serve de alerta para que você compreenda que quando o tradicional não resolve (uma longa jornada entre médicos e remédios, mas tudo volta como era), se faz necessária a busca pela origem do problema em outros meios, para chegar a uma solução.
Existem situações em que os ambientes construídos contribuem para o surgimento destes sintomas. A sua casa é uma grande aliada na sua saúde. Ela pode ampliar ou minimizar alguns destes sintomas.
Ciclo do ambiente doente.
Falar sobre o ciclo do ambiente doente é reconhecer a realidade de muitas pessoas que convivem com sintomas crônicos — como alergias, dores de cabeça, irritação nos olhos, nariz e garganta, cansaço excessivo, falta de concentração ou problemas respiratórios — que melhoram temporariamente, apenas para retornarem quando elas retornam ao ambiente que os desencadeia.
Esse ciclo se estabelece de forma quase invisível, pois os vilões ocultos do ambiente construído — como mofo, poeira acumulada, materiais tóxicos/ presença de poluentes (como produtos de limpeza, tintas e materiais de construção) e materiais de construção inadequados, ventilação inadequada, ruídos excessivos ou até mesmo a má iluminação — agem de maneira silenciosa, porém contínua, afetando o corpo e a mente dos ocupantes.
Dessa forma, a pessoa entra em um padrão de melhora e piora constante, que muitas vezes é confundido com questões exclusivamente individuais ou emocionais, quando na verdade tem uma origem ambiental.
Um ambiente inadequado pode ser um gatilho contínuo e silencioso para problemas de saúde física e mental. Inicialmente, focaremos apenas nos problemas que afetam a saúde física.
Por exemplo: um ambiente que não tem renovação do ar, cumulado com outros fatores como umidade excessiva, presença de poluentes e particulados transformam o local, estando este sujeito para a proliferação de bactérias, fungos e ácaros. Ou ainda, o acúmulo de CO2 e outros poluentes em ambientes fechados e com ar viciado (sem renovação) pode causar sonolência. dificuldade de concentração e dores de cabeça.
Seguem alguns itens a serem observados:
- Ventilação natural: Falta de renovação adequada do ar interno, acumulando poluentes como dióxido de carbono (CO2), compostos orgânicos voláteis (COVs) e partículas suspensas no ar.
Abra as janelas no período da manhã, onde o ar externo é mais limpo. Verifique se os ambientes com ventilação mecânica, também possuem formas de insuflar ar no ambiente/ uma fonte de renovação de ar.
- Ventilação mecânica: Equipamentos de climatização sem a devida manutenção (limpeza e troca de filtros periodicamente, desobstrução de dutos e limpeza de aletas e outras partes) contribuem para a piora da qualidade do ar no ambiente.
- Umidade: Ambientes com excesso de umidade, associada com as condições de temperatura e existência de material orgânico favorecem o crescimento de fungos e mofos.
Inspecione regularmente a construção para identificar e tratar vazamentos e infiltrações, bem como fissuras, trincas e outros problemas construtivos que contribuem com o surgimento e ampliação da umidade.
- Produtos químicos: Tintas, colas, móveis, materiais de construção e produtos de limpeza liberam no ar substâncias químicas nocivas (exemplo: formaldeído e benzeno) e que afetam a saúde.
Opte por produtos que utilizem substâncias menos agressivas e que informem a quantidade de substâncias químicas liberadas no ar. No mercado da construção e de limpeza, já existem produtos amigos da natureza e do ser humano (a quantidade de compostos orgânicos voláteis e semivoláteis no ar é reduzida).
- Iluminação artificial inadequada: Iluminação insuficiente ou em excesso, dispostas de forma que ocasionem ofuscamento ou sombreamento, podem causar fadiga visual, dores de cabeça e até alterações no humor.
Ampliando o conhecimento sobre o tema
O assunto acima, deriva da Síndrome do Edifício Doente, algo que já foi documentada em diversos casos ao longo das décadas. Pode afetar tanto prédios públicos quanto privados. Todos os ambientes construídos, estão sujeitos a adoecerem ou já nascem doentes.
A prevenção e o controle dependem de uma abordagem multidisciplinar, que envolve desde arquitetos, engenheiros, até a equipe de manutenção, saúde ocupacional, gestores de espaço e usuários finais.
É necessário ampliar a divulgação e conscientização de um assunto fundamental para a saúde das pessoas e que também impacta diretamente a produtividade e bem-estar dos prestadores de serviço das empresas a longo prazo.
Segue fonte de pesquisa sobre o assunto Qualidade do Ar, para conhecimento:
- EPA – Agência de Proteção Ambiental dos EUA
Caso suspeite que algo parecido esteja ocorrendo, busque por especialistas no assunto para realizar inspeções e testes que ajudam a identificar problemas específicos, como vazamentos de gás, infiltrações ou falhas no sistema de ventilação e verificar a qualidade do ar.
Realizem pesquisas periódicas com os ocupantes, para colher as suas percepções em relação ao conforto e saúde no caso dos ambientes de trabalho.

Taina Volcov é arquiteta e urbanista, apaixonada por imaginar e desenhar espaços desde a infância. Aos 11 anos, já criava cenas e conversas em vídeo chamadas — em plena década de 1990. Aos 17, foi pioneira em sua família ao ingressar na universidade, realizando o sonho de infância de transformar rabiscos em projetos reais. Atua desde 2011 na área de Engenharia Diagnóstica, cuidando da saúde das edificações e investigando como os ambientes construídos afetam a saúde das pessoas e das cidades. Seu olhar atento une técnica e sensibilidade, guiando reflexões sobre bem-estar urbano. Na Coluna Saúde e Bem-Estar, compartilha sua vivência com leitores em português, buscando inspirar novas formas de viver, habitar e construir juntos um futuro mais saudável e feliz.
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