Ahhhhhhhh O AMOR

Por Dra. Clarice Peres e Planeta Ética

É com imensa alegria que iniciamos este projeto de escrever mensalmente esta coluna a convite da Abayomi Academy. E faremos isso em equipe, a família do Planeta Ética, formada de crianças e adolescentes e eu. Todos juntos no mesmo barco, navegando águas rasas e profundas falando de Ética e Saúde Mental. Com a alegria de criança no incrível mundo da neuropsicologia!

Parecia que minha pergunta sobre “o que é o amor para você” pegou quase todos de surpresa! Eu mesma me surpreendi, todos sem exceção tiveram que respirar fundo e parar a agitada vida que todos parecem levar agora e buscar o significado do amor. Também de alguma forma, todos nós levamos nossos pensamentos para buscar palavras realmente magnânimas e cheias de sentido aos mais puros sentimentos.

Sem exceção, suspiraram e partiram para uma instantânea viagem para dentro, para rostos familiares ao seu banco de dados, percorreram lugares e situações que os exaltam os sentidos e antes de me darem suas inspiradoras respostas, uma expressão serena e alguns sorrisos surgiram naturalmente. A meditação rumo ao amor parecia haver começado.

Que poder tem este tal AMOR! Parece ter tomado um poder ainda maior neste atual momento da humanidade sem precedentes, a pandemia, onde a dor e a morte estão tão perto, a manifestação de solidariedade e amor estão fazendo com que recordemos nossa essência: amor.

Também na dor, ele parece que nos liberta, oferecendo paz. Até podemos oferecer nossa vida por amor! O poeta Jorge Amado descreveu com perfeição:

“O amor é sempre doce e bom, mesmo quando a morte está próxima”!

Enquanto seguia perguntando, eu também já me deixei envolver por ele!

Basta com citar a palavra para que nosso corpo imediatamente exija oxigênio, portanto aumenta parcialmente nossos batimentos cardíacos, a dopamina em nosso cérebro se eleva, nossa motivação desperta, nossa pressão sanguínea se altera, nosso cérebro se impulsiona, nosso sistema de apego foi ligado, focamos nossa energia, não somente nossa fisiologia se altera, mas inclusive nossa consciência social. Nosso coração deixa a mente entrar, e nossa mente aceita seus batimentos. Dissolvendo a ilusão de que estamos separados.

Nossa imaginação e vocabulário buscam intensamente uma sinergia, todos sem exceção, crianças, adolescentes, adultos homens e mulheres, filosofamos e acreditamos em uma energia feminina inspirados pela vida, por dar sem querer nada em troca, por gerar outra vida dando de sua própria existência tudo o que se necessita para gerar a um outro ser, uma força capaz de gerar a vida mesma – nosso bebê.

“O amor é como a criança: deseja tudo o que vê” (William Shakespeare).

Quantas formas se desenha o amor? Entre pais e filhos, entre amantes, entre amigos, entre estranhos, entre países, entre nações… quanto amor podemos dar e receber? Quantos gestos, olhares, abraços, beijos, palavras podem expressar amor? Somente amando entendemos!

Pablo Neruda em sua poesia cheia de amor dizia: “Conhecer o amor daqueles que amamos é o fogo que alimenta a vida”.

]Não basta sentir, disseram muitos, tem que usar da ação para praticar o amor. Para ser pleno tem que agir. Tem que rir e chorar, tem que ser inteiro, sorridente! Amar é ação, é arte, é poesia, é o bonito e o feio, é a dança dos opostos e dos similares, é a constante mudança, diversidade e brevidade.

Uma ação de dar, simplesmente dar. Um processo sem volta de entrega total. A consciência profunda de que a vida é imprevisível e por tanto sempre em qualquer momento vale a pena amar e amar. Transcender!

Essa ação se inicia com o nascimento de nós mesmos no outro, logo nos nossos amigos que são entre todos os mais parecidos a nós, seguimos explorando até encontrarmos em poucos ou em uma só pessoa o mais parecido a nós mesmos, e seguimos essa busca por toda a vida.

Alguns disseram que o amor é doce e que suas chaves devem sempre estar nas nossas mãos para que possamos abrir todas as portas, é a nossa escolha, e eleição do nosso ser imortal.

Quem ama tem que cumprir algumas regras deste espetáculo chamado vida: cuidar, importar-se, compreender, aceitar, compartilhar, fortalecer, completar, preencher, serenar, resistir, transformar, desafiar, identificar, purificar, ajudar, obedecer, doar, mover, proteger, harmonizar, energizar, necessitar, pacificar, conceder, dar, apaixonar, preencher, agradar. Mas o amor não se prova, nem se mede, apenas existe.

Falamos de muitas formas sobre um representante fiel e perfeito deste amor, que pode ter o nome de Natureza, Deus ou Universo. Não falamos de religião, falamos de conexão, de fé, de integração, de fusão entre este único e genuíno representante de nós mesmos. Esse tal amor que nos eleva em segundos a uma validação da nossa própria existência. Uma explosão de energia que nos lembra nossa completude. Um encontro de almas, que as vezes ficam mais tempo em conexão e outras vezes apenas estão de passagem. Quando o amor fala a voz se cala!

Pode vir andando, a galope, caminhando, com a brisa ou um raio. Misterioso, magico, doce, vibrante, fluido. Cobre, abre, invade, fecha, revolta, vira, acalma, transborda, agita, esclarece, ilumina, alegra, felicita, toca, conecta a nós mesmos e ao outro onde quase não se pode usar as palavras como definição. Como se definir seja prender a própria liberdade. Ou buscar explicação para o inexplicável.

Todos sem exceção disseram que amar é viver! Que é estar conectado com o outro, mesmo que esse outro seja você mesmo, mas se for com o outro tem muito mais sentido a nossa existência. As vezes a razão pode falar de amor em uma coluna como essa, mas precedente a razão o amor é irracional, não cabe em outras formas de explicação que não seja o próprio amor.

Shakespeare dizia: “O amor é a única loucura de um sábio e a única sabedoria de um tolo”!

Então o amor somos nós? E se é assim, então ele pode significar tudo que somos, toda nossa infinita capacidade de expansão e expressão? O amor pode ser tudo, que seja nosso ar, nosso super herói, que seja todas as cores que existem, que seja intenso a ponto de parar a sua mente. Que nada é melhor que ele, o amor próprio, o amor ao outro, o amor a vida, o amor que vem e vai, o amor que move o mundo!

Que queres que te diga além de que te amo! Fernando Pessoa.

Autores: Daniel Rocha Rabelo, estudante e tem 5 anos e Dra. Clarice Peres, psicóloga, escritora e navegadora.

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