Por Vanessa Canever
Em muitas empresas os líderes são nomeados por serem as pessoas que se sobressaíram no trabalho operacional e a liderança ainda é apoiada em estruturas hierárquicas rígidas. Acreditamos que, para formar times realmente fortes, precisamos adotar uma visão sistêmica, que enxergue a organização como um organismo vivo, assim como o nosso corpo, feito de órgãos e células interdependentes. Fazendo esse paralelo, conseguimos perceber que cada “parte” precisa funcionar em harmonia para gerar resultados de alto impacto.
No nosso corpo, cada órgão tem uma função específica, mas é a coordenação entre eles que mantém a vida. Se o fígado está sobrecarregado, todo o organismo dá sinais de stress. Podemos fazer esta analogia com a empresa: não é apenas um conjunto de departamentos, e sim um ser vivo que respira processos, metaboliza informações e cresce por meio de pessoas.
Numa Visão Segmentada: cada área cuida do seu próprio “território” sem perceber o impacto nos outros, já com uma Visão Integral: todas as áreas entendem como suas ações afetam o todo e priorizam a saúde do “organismo” completo. Se queremos manter a saúde organizacional, não basta olhar métricas isoladas, precisamos observar indicadores sistêmicos: clima, engajamento, qualidade das entregas e inovação. E qualquer intervenção, como por exemplo treinamento, contratação, mudança de processo, só funciona de verdade se estiver alinhada a um diagnóstico completo.
O primeiro ponto é repensar qual é o papel da liderança? Se a resposta for apenas assegurar que tudo transcorra de forma “correta”, o líder é apenas um organizador de tarefas e não há espaço para autonomia e inovação. Se a liderança for sinônimo de potencializar os resultados, o líder passa a ser um orquestrador de pessoas, no sentido de extrair de cada um o que há de melhor. Um bom líder acredita e vê o potencial do outro mais do que ele mesmo. E este é o segundo fator: para que o time seja forte é necessário que ele seja considerado e tratado com essa força. Alguns aspectos influenciam para que isto aconteça: direção, comunicação, cultura e confiança.
Sem direção, os liderados tornam-se meros executores automáticos de tarefas. Um propósito claro é como o sistema nervoso do organismo: conecta cada ação ao destino que queremos alcançar. Se o líder pensar: “trabalho com adultos, já dei o direcionamento, não preciso repetir”, significa que não está dando a devida importância a este ponto. Ao viajarmos por uma estrada nos deparamos com muitas encruzilhadas, em cada uma delas, precisamos ter clareza do nosso destino, caso contrário, é fácil se perder e parar em outro local. O mesmo acontece numa empresa, são muitos percalços, imprevistos e oportunidades que surgem e não é apenas uma pessoa que pode se desviar, mas várias e o resultado pode ficar muito aquém do esperado.
O direcionamento é dado por meio de uma boa comunicação. Assim como neurônios transmitem impulsos para coordenar movimentos, processar informações e reagir rapidamente a estímulos, a comunicação transmite “impulsos” entre pessoas ou equipes para alinhar ações, corrigir erros e gerar novas respostas. A comunicação tem muitas nuances. Ela pode ser direta e objetiva ou mais cuidadosa e recheada de detalhes. Pode ser informativa, corretiva, impulsionadora, para celebrar conquistas ou para gerar momentos de descontração. Quanto mais ela estiver presente nas empresas, com este enfoque, maior será a sinergia da equipe. Já fofocas, assuntos polêmicos e reclamações sem propósito de melhoria, devem ser evitados.
O feedback e feedforward fazem muita diferença na construção de times fortes. O primeiro refere-se à avaliação do passado e o segundo à perspectiva de futuro. Enquanto o feedback realinha a rota o feedforward nos ajuda a ir além. Eles podem ser formais, em momentos previamente estabelecidos ou pontuais ao longo do caminho. O ideal é que ambos aconteçam para o crescimento individual e coletivo.
A cultura é o DNA que orienta nossos comportamentos e decisões. Ela nasce das crenças que compartilhamos, dos rituais que praticamos e das histórias que reforçam nosso propósito. Para fortalecer nossa cultura, precisamos documentar princípios em um formato simples e visual, viver esses valores no dia a dia e corrigir rapidamente quando algo sai do eixo. Uma boa cultura traz um senso de pertencimento e engajamento.
Para que talentos floresçam, precisamos de um solo fértil, ou seja, um ambiente de confiança, onde as pessoas sentem-se seguras psicologicamente. Elas podem se expor sem medo de retaliação. Podem sugerir, dar feedback, propor melhorias e inovar. Sabem que os erros fazem parte do processo e são acolhidos. Todos têm espaço para contribuir.
Na Potenciologia, acreditamos que reconhecer, utilizar e intensificar o potencial humano é o caminho para manter esse “organismo” vivo e forte. Ajudamos os gestores a identificar qual é o melhor local para a pessoa realizar as suas atividades, o estilo de trabalho em que mais tem fluidez e como desenvolver os talentos. Também os ajudamos a aprimorar suas habilidades de gestão, melhorando o direcionamento e a comunicação, implementando ou intensificando a cultura e construindo ambientes saudáveis.
Quando aplicamos esses instrumentos, transformamos a organização em um sistema vivo onde cada pessoa, processo e área atuam em sinergia. Assim, construímos times fortes e sustentáveis, capazes de prosperar mesmo em cenários desafiadores.

Criadora da Potenciologia e da Formação de Potenciólogos. Mestre em Educação. Pós graduada em gestão de pessoas, pedagogia empresarial, dinâmica de grupos e educação a distância. Especializada em Inteligência Emocional e métodos ágeis. Trabalha com a potencialidade humana e o desenvolvimento de pessoas para que possam ter melhores resultados, no menor espaço de tempo possível e de forma leve.
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