Por Beto Marcelino, sócio-fundador do iCities
O termo ESG (Environmental, Social and Governance) que, em português significa Ambiental, Social e Governança, não é apenas um conjunto de letras, mas um chamado à ação, que convida as empresas a serem agentes protagonistas de transformação. Ao adotar práticas sustentáveis, as organizações não só reduzem seu impacto ambiental, mas também constroem um ambiente de trabalho mais humano e diverso, fortalecem laços com a comunidade, operam com ética e transparência, e constroem um legado que ressoa nas pessoas, muito além dos números. Ao meu ver, são sementes de um futuro plantadas hoje para que as próximas gerações colham seus frutos.
Para nós, o Smart City Expo Curitiba não é apenas um evento; é um movimento que reforça nosso compromisso com um amanhã melhor, construído pelas mãos de muitos, dispostos a repensar suas atitudes de forma articulada e intencional. O evento tem como missão transformar cidades em espaços mais inteligentes, sustentáveis e socialmente responsáveis, e nada disso pode ser alcançado em sua totalidade sem estarmos norteados pelos princípios ESG. Por isso, nesta 6ª edição, avançamos ainda mais com o nosso programa ESG em parceria com a consultoria Impactability.

Mais do que defender uma ideia, é primordial mostrar resultados tangíveis, e nesta edição do evento confirmamos que esse compromisso traz benefícios palpáveis. Sabemos dos impactos ao receber e mobilizar mais de 22 mil pessoas dos mais variados lugares do Brasil e do mundo, parte dele resultado do deslocamento, alimentação, hospedagem, e muito mais. Então, é primordial que se faça um trabalho diligente em mapear e antecipar minuciosamente cada um deles, e elaborar uma estratégia afinada e compensação para neutralizá-los da melhor forma possível.
É por isso que tenho a alegria de compartilhar alguns resultados desta edição: o evento neutralizou 100% de suas emissões de gases de efeito estufa, compensando cerca de 2.000 tCO2e (toneladas de dióxido de carbono equivalente) através de créditos de carbono e adotando quase 80 mil m² de Mata Atlântica para conservação. Esse volume de compensação equivale, por exemplo, às emissões geradas por cerca de 400 voltas ao redor do planeta de carro ou ao consumo anual de energia elétrica de mais de 300 residências brasileiras. Ao reciclar aproximadamente 91% dos resíduos gerados, transformamos o lixo em aprendizado e recursos com ações educativas como distribuição de adubo e sabão reciclado, além da destinação correta de toneladas de papel, alumínio, plástico, lonas, madeira e orgânicos, evitando uma emissão de significativas toneladas de CO2e. O uso de descartáveis foi eliminado nas lanchonetes, incentivando o uso de copos retornáveis e embalagens de alumínio.

Dentro do pilar social da sigla, a Diversidade e Inclusão também foram priorizadas por meio de uma infraestrutura acessível, a presença de intérpretes de LIBRAS, disponibilização de tradução simultânea por QR Code e grande representatividade feminina nos diversos palcos, com destaque ao Stage ESG. A partir do ingresso social, foram arrecadados 4,5 toneladas de alimentos não perecíveis, o que gerou o equivalente a 14.700 refeições para a APAE Curitiba. Além disso, foram promovidas ações de conscientização sobre deficiência, e a disponibilização de espaços como a Sala Calma e a Sala Ecumênica, que foram pensados para acolher as mais diversas necessidades do nosso público. Ao tratarmos de Educação Inclusiva, foram oferecidas bolsas de reforço escolar, treinamentos em ESG e mercado de carbono, além de uma bolsa de MBA em Empreendedorismo Social e Impacto que será doada para uma pessoa negra.

É com muito orgulho que eu compartilho estes resultados, mas meu principal intuito é que eles sirvam de inspiração para outros empreendedores, organizadores de eventos e entusiastas a irem além ao planejarem seus próximos passos. Precisamos reconhecer que estamos entrando em uma nova era, em que os consumidores analisam a fundo a cadeia de produção por trás de um produto, e não apenas o item em si. Ao promover um evento, especialmente na temática de cidades inteligentes, o visitante avalia a coerência entre o discurso e a prática promovida, indo muito além apenas da experiência vivenciada durante sua participação.

Minha intenção com este artigo é promover um call to action sobre a importância das ações ESG na organização de grandes eventos. Ao colocar o ESG como um dos pilares centrais do planejamento estratégico de um encontro, enriquecemos a experiência de todos os envolvidos e propagamos uma mensagem poderosa: o futuro já chegou. Não podemos mais ignorar os impactos ambientais, as minorias e a nossa sociedade civil que, felizmente, está cada dia mais consciente e exige de seus líderes um posicionamento transparente, ético e responsável. Portanto, cada iniciativa e cada número alcançado ecoam um compromisso genuíno com a construção de cidades mais inteligentes e justas, e com governanças cada vez mais transparentes. Queremos inspirar um movimento coletivo rumo a um futuro onde pessoas conscientes construam cidades inteligentes, sempre visando o bem-estar de todos.

Sócio-diretor do iCities, empresa brasileira pioneira em cidades inteligentes, Beto Marcelino foi relator integrante da Carta Brasileira de Cidades Inteligentes do Ministério de Desenvolvimento Regional (MDR). Formado em Engenharia Agrônoma pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialista em Marketing pela FAE Business School, o executivo também fez parte do programa Cidades 4.0 do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações a fim de desenvolver a Política Nacional de Cidades Inteligentes. Além disso, é Manager do Smart City Expo Curitiba e embaixador da Fira Barcelona no Brasil.
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Beto Marcelino serves as Chairman of the Board for iCities Group. He is the co-founder of the Brazilian holding company, a benchmark in the urban innovation and smart cities ecosystem. As a pioneering agent in this field, he was one of the rapporteurs for the Brazilian Charter of Smart Cities, an initiative by the Ministry of Cities, and also participated in the Cities 4.0 program, from the Ministry of Science, Technology, and Innovations (MCTI), contributing to the construction of the National Policy for Smart Cities.
He holds a degree in Agronomic Engineering from the Federal University of Paraná (UFPR), with a specialization in smart cities from Smart City Expert, and an MBA in Marketing from FAE Business School. He is also an ambassador for Fira Barcelona in Brazil, strengthening the connection between global events and the Brazilian urban context.


