Por Beto Marcelino, presidente do conselho do iCities
Tenho a convicção de que vivemos um momento decisivo na forma como pensamos e gerimos nossas cidades. E, quando penso sobre isso, vejo como o avanço das govtechs, startups que desenvolvem soluções tecnológicas para apoiar governos, representa uma das mais potentes oportunidades para transformar a gestão pública no Brasil e criar ambientes urbanos mais inteligentes, humanizados e eficientes.
O setor público, historicamente, enfrenta o desafio da burocracia e da falta de agilidade para inovar. Estamos falando de um país com proporções enormes como o Brasil, ou seja, sei que não é fácil implementar soluções – ainda mais em grande escala, mas com as govtechs podemos romper paradigmas ao trazer novas ferramentas, metodologias e tecnologias que permitem atacar desafios antigos com soluções mais baratas, mais ágeis, que são baseadas em dados e que se aproximam ainda mais das necessidades reais dos cidadãos.
Ao desburocratizar processos, garantir transparência e eficiência, reduzir custos e incentivar a participação social, obtemos inúmeros ganhos e acredito que estes sejam pilares muito importantes para uma nova atuação da gestão pública.
No Brasil, já vemos um ecossistema florescendo. Estou acompanhando de perto o avanço desta frente em minhas atuações tanto no iCities, quanto na ASSESPRO (Associações das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação), da qual faço parte como Diretor de Cidades Inteligentes. Hoje, as govtechs já atuam de forma concreta em áreas estratégicas como saúde, educação, mobilidade, gestão pública e meio ambiente. São iniciativas que demonstram a amplitude e o potencial desse ecossistema em oferecer soluções inovadoras para diferentes frentes da administração pública
Aqui no Paraná, temos um exemplo emblemático: Curitiba vai sediar o primeiro Hub de GovTechs do estado, fruto de um investimento de R$ 15 milhões ao longo de três anos. Esse espaço será um grande catalisador para soluções tecnológicas voltadas ao setor público, dando condições para que startups e governos co-criem políticas inovadoras. É um marco importante, que reforça a vocação de Curitiba como referência em inovação urbana e abre caminho para disseminar boas práticas em todo o país.
Tive a alegria de estar presente recentemente na solenidade de criação desse Hub, uma iniciativa da Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial em parceria com a APTSJC (Associação Parque Tecnológico de São José dos Campos, em São Paulo). É especialmente gratificante acompanhar essa transformação na terra natal do iCities e saber que fazemos parte de um ecossistema que avança rapidamente movido pelo propósito de gerar impacto direto na qualidade de vida dos cidadãos.
As govtechs não são apenas startups vendendo tecnologia para governos. Elas representam um novo jeito de pensar a relação entre setor público, privado e sociedade: uma relação baseada em colaboração, transparência e impacto positivo. Quando o gestor público se abre para essas parcerias, ele sinaliza que está disposto a colocar o cidadão no centro da gestão, utilizando a inovação como meio para melhorar vidas. Outro aspecto extremamente positivo é o investimento em jovens talentos, que passam a ter a oportunidade de colaborar com o setor público sem a necessidade exclusiva de um concurso público tradicional. Dessa forma, uma nova geração de profissionais qualificados, engajados, talentosos e inovadores pode se integrar à gestão pública de maneira mais ágil e dinâmica, fortalecendo a capacidade do Estado de responder com eficiência aos desafios contemporâneos.
Vejo que o futuro das cidades inteligentes no Brasil passa, inevitavelmente, pelo fortalecimento do ecossistema de govtechs. Apoiar essas iniciativas significa acelerar a digitalização dos serviços, reduzir custos, aumentar a eficiência da máquina pública e, sobretudo, gerar confiança na relação entre cidadão e governo. Essa é, para mim, a verdadeira essência da inovação: compreender que ela não virá apenas de dentro das instituições tradicionais, mas do trabalho em rede, que integra novos talentos, tecnologia e propósito.

Beto Marcelino é presidente do Conselho do Grupo iCities e sócio-fundador da holding brasileira referência no ecossistema de inovação urbana e cidades inteligentes. Agente pioneiro da temática, foi um dos relatores da Carta Brasileira de Cidades Inteligentes, iniciativa do Ministério das Cidades, e também integrou o programa Cidades 4.0, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), contribuindo para a construção da Política Nacional de Cidades Inteligentes.
Formado em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) com especialização em cidades inteligentes pelo Smart City Expert e MBA em Marketing pela FAE Business School, é embaixador da Fira Barcelona no Brasil, fortalecendo a conexão entre eventos globais e o contexto urbano brasileiro.
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Beto Marcelino serves as Chairman of the Board for iCities Group. He is the co-founder of the Brazilian holding company, a benchmark in the urban innovation and smart cities ecosystem. As a pioneering agent in this field, he was one of the rapporteurs for the Brazilian Charter of Smart Cities, an initiative by the Ministry of Cities, and also participated in the Cities 4.0 program, from the Ministry of Science, Technology, and Innovations (MCTI), contributing to the construction of the National Policy for Smart Cities.
He holds a degree in Agronomic Engineering from the Federal University of Paraná (UFPR), with a specialization in smart cities from Smart City Expert, and an MBA in Marketing from FAE Business School. He is also an ambassador for Fira Barcelona in Brazil, strengthening the connection between global events and the Brazilian urban context.


