“A Gestão Inovadora de Espaços e Cidades Inteligentes e a Busca da Felicidade após a Pandemia”

É com imensa alegria que vamos iniciar as publicações da coluna dedicada à disseminação e troca de ideias e informações relativas a uma das dimensões da Metodologia Abayomi, com ênfase nas ferramentas legais para a gestão inovadora de cidades inteligentes – que oferecem acesso a serviços, produtos e recursos necessários ao bem estar e à felicidade de seus valorosos cidadãos.

Queridos Leitores,

Diversas ferramentas legais podem contribuir para a adequada governança para a gestão ética das informações, dos recursos naturais, financeiros, humanos e tecnológicos, indispensáveis para o adequado planejamento urbano, elaboração de políticas públicas e modelos de negócios capazes de promover o desenvolvimento sustentável e, após a pandemia, enfrentar seus efeitos e impactos na sociedade.

Todos nós, na condição de cidadãos, consumidores, empresários, gestores ou profissionais, devemos ser protagonistas de ações responsáveis e solidárias, bem como participar da construção de soluções criativas e adaptações que serão desejadas ou exigidas pela nova realidade imposta pela pandemia.

Por isso, seus comentários e sugestões serão sempre bem vindos!

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A Gestão Inovadora de Espaços e Cidades Inteligentes

e a Busca da Felicidade após a Pandemia

A criação do Dia Internacional da Felicidade foi proposta à Organização das Nações Unidas pelo Butão, país conhecido pela criação do índice de “Felicidade Interna Bruta” de seus cidadãos. A Assembléia Geral das Nações Unidas instituiu o dia 20 de março como o Dia Internacional da Felicidade, servindo de estimulo às políticas publicadas relacionadas ao bem estar e à felicidade. Sem imaginar que soaria como um presságio, o então Primeiro Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou em março de 2013:

“Neste primeiro Dia Internacional da Felicidade, vamos reforçar nosso compromisso com o desenvolvimento humano inclusivo e sustentável e de ajudar os outros. Quando contribuímos para o bem comum, enriquecemo-nos a nós próprios. A compaixão promove a felicidade e ajudará a construir o futuro que queremos.”

O World Happiness Report, o Relatório Mundial da Felicidade publicado pela Rede de Soluções de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, considera algumas variáveis relacionadas ao bem estar dos pesquisados, como a renda (PIB per capita), expectativa de vida saudável, suporte social, liberdade de escolhas, generosidade e percepção da corrupção.

É interessante notar que as maiores economias não ocupam as melhores posições no ranking, o que permite inferir que o bem estar e a felicidade não dependem apenas de recursos financeiros ou tecnológicos, mas da sua adequada gestão e dos efeitos positivos na vida das pessoas, cujas legítimas expectativas devem ser consideradas no planejamento.

Em outras palavras, quando se pensa em gestão de cidades inteligentes, assim compreendidas aquelas capazes de promover a felicidade de seus habitantes, equivale dizer que os investimentos de recursos e tecnologias devem considerar as expectativas dos cidadãos (pagadores de impostos), partindo do problema para as soluções (e não o contrário), as quais devem ser sustentáveis.

Em 2020, pela primeira vez, o Relatório Mundial da Felicidade classificou cidades ao redor do mundo conforme seu bem-estar subjetivo e investiga como os ambientes social, urbano e natural se combinam e afetam a felicidade. Os estudos interdisciplinares realizados de acordo com as dimensões da Metodologia Abayomi também correlacionam os efeitos do ambiente na promoção do bem estar e da felicidade.

O Relatório de 2021, recentemente divulgado, trouxe novos elementos para tal “equação”, os quais também influenciarão estudos futuros a respeito da felicidade, tendo em vista os impactos específicos da pandemia no bem estar social. Foi exatamente a capacidade de gestão dos países melhor posicionados que interferiu diretamente nos “índices” de felicidade de seus cidadãos.

Há pouco mais de um ano, a humanidade começou a trilhar um capítulo bastante inesperado em sua história, cuja duração ainda é bastante imprevisível. De forma quase invisível, um dos tipos mais elementares de vida (sequer considerado ser vivo por alguns) entrou em nossa história e assumiu um protagonismo que afetou cidadãos de todas as idades, todas as classes e todos os países.

São extremamente relevantes os impactos imediatos e mediatos dessa inédita crise sanitária e econômica de escala global, exigindo a rápida criação de soluções e adaptações de rotinas em espaços públicos e privados, físicos e digitais, bem como a redefinição de diversas prioridades, investimentos, modelos de negócios e conceitos.

Se os estudos relativos às cidades inteligentes já exigiam novas formas de gestão e políticas para adequação de cidades e espaços públicos e privados, a pandemia trouxe à tona a importância dessa remodelagem na esteira dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da Agenda 3030 e dos conceitos da Economia Circular.

O acesso às ferramentas e tecnologias passou a ser imprescindível para o trabalho remoto, novos hábitos de consumo, educação a distância e mesmo para consultas online e assistência à saúde.

A nova realidade também passou a exigir dos gestores e dos operadores jurídicos a releitura dos marcos legais existentes e a construção de soluções coerentes com as novas demandas ou conflitos, por exemplo, de competências para determinadas ações, entre interesses individuais e coletivos, exigindo a “relativização” temporária de alguns direitos e garantias, bem como a criação de novas regras contratuais, trabalhistas, sanitárias, de segurança, transporte, lazer, etc.

Por outro viés, levando em conta os impactos da pandemia nas políticas públicas de saúde e educação, na economia, no orçamento público e no planejamento urbano, as ações esperadas do Poder Público podem ser apoiadas ou complementadas por ações individuais e coletivas, que igualmente demandam uma gestão inovadora para fomentar a solidariedade, o apoio social, a empatia e a vitalidade comunitária.

Para exemplificar a relevância disso, vale mencionar que a Finlândia, país melhor posicionado no ranking mundial da Felicidade ha alguns anos, obteve uma classificação muito alta no Relatório Mundial da Felicidade de 2021 no tocante à confiança mútua entre seus cidadãos em relação à proteção da vida durante a pandemia e à gestão dos recursos necessários à proteção da saúde e da vida.

A adequada alocação de recursos naturais, financeiros, humanos e tecnológicos, bem como a gestão de informações e também do próprio tempo são imprescindíveis para preservação da vida, da saúde e do bem estar.

A Metodologia Abayomi, em suas diversas dimensções – 1) Espaço Físico e Digital, 2) Gestão Inovadora, 3) Saúde e Bem estar, 4) Comunicação e 5) Relações Humanas – contempla ferramentas que encontram lastro no ordenamento jurídico, em forma de diretrizes que devem promover o bem estar individual e coletivo.

Em outras palavras, ao lado das demais dimensões da Metodologia Abayomi, a Gestão Inovadora é vital para a reconfiguração e adaptação das políticas públicas, das relações humanas e dos espaços públicos e privados, medidas necessárias para assegurar ou resgatar o bem estar e a felicidade.

Alem de investigar os resultados do Relatório Mundial da Felicidade de 2020, as futuras publicações trarão os conceitos e ferramentas legais que podem dar suporte e fomentar uma gestão inovadora de espaços e cidades inteligentes e promover o desenvolvimento sustentável e a felicidade.

Quer saber mais sobre Eliane Saldan? Confira o LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/eliane-saldan-fraga-9a2394/

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