Por Juliana Costa
Será que a nossa sociedade perdeu a capacidade de se regular sem pesar a mão no próximo?
Esse é um questionamento legítimo, tendo em vista os absurdos que se apresentam diariamente nos noticiários, nas ruas e até nas histórias que as pessoas vez ou outra vêm nos contar.
A verdade é que o caos tem sido uma ferramenta de ataque usada diariamente por todos aqueles que não se dedicam a despertar, construir e/ou desenvolver suas Consciências, sem saber que os primeiros a serem prejudicados com isso são eles mesmos.
Sim! Isso porque para causar uma guerra, desde a sua intenção até o seu fato, é preciso que se plante, regue e cuide da semente do caos em si mesmo; é preciso que se deguste a guerra no café da manhã, no almoço e no jantar; é indispensável que se sinta, pense e seja guerra diuturnamente.
Da guerra, para a guerra e através da guerra, no entanto, não há como não experimentar outros absurdos, afinal, a degradação que uma guerra proporciona tem escala inimaginável e consequências irreparáveis.
Traumas e tragédias que acompanham a guerra são absurdos passados por gerações, por exemplo. E isso não é novidade, mas ainda assim a nossa sociedade insiste na guerra, ou melhor, nós, seres humanos, ainda insistimos na guerra.
Naturalmente, a guerra surge por descontentamento nosso quanto à busca por satisfazermos nossos desejos de distanciamento ou aproximação de algo ou de alguém, mas até chegar em violência extrema, isto é, em guerra, passamos por um processo de culpa e de rejeição dessa culpa. Queremos culpar o outro por um descontentamento nosso do qual já não temos mais controle. É aí que começa a guerra como fato.
No entanto, antes de chegarmos a este absurdo, temos infinitas oportunidades de despertar, desenvolver e construir nossa Consciência, a ponto de não só evitarmos a guerra, mas principalmente de compreendermos quais sementes devemos e merecemos cultivar em nós mesmos.
Isso porque a Consciência é, em nós, o centro de força capaz de potencializar nossa energia de realização. Ela é responsável por nos responsabilizar perante nossas escolhas; por nos indicar o melhor caminho a seguir; e, ainda, por nos ofertar caminhos cada vez menos nocivos.
No entanto, se optamos por não dar espaço, em nós, à nossa Consciência, passamos a cultivar as tais sementes de guerra, regando e cuidando para que elas cresçam fortes, tempo em que damos à guerra a possibilidade de nos controlar, tirando de nós mesmos a possibilidade de nos regularmos sem pesar a mão no próximo, simplesmente porque, em nós, o desejo não foi compreendido, a culpa não foi compreendida, a violência não foi compreendida e a guerra já foi instaurada.
E depois que a guerra “acaba”? Bom, depois que a guerra “ameniza”, porque ela não acaba, outros absurdos se apresentam, suas consequências se evidenciam, outras sementes são por nós plantadas e novas chances de compreensão aparecem, isso porque a Consciência não desiste de nós, ainda que momentaneamente tenhamos desistido dela.

Consciencióloga, Educadora, Mestra em Psicologia Clínica e de Aconselhamento, Neuropsicóloga, Psicopedagoga, Palestrante Internacional, Pesquisadora da temática Consciência com foco no Desiderato Humano.


